De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

CAI CHUVA EM MIM


Cai chuva miúda,
que atropela
a graúda
que fica nas nuvens,
esperando cair.
Vem suave,
mansinha,
com ar de santinha
mas vem p’ra ferir.
me enlaço
num laço,
em jeito de abraço,
em jeito de amar.
Me giro,
me viro,
e fico suspensa,
com a chuva a cansar.
Traz sabor de fel,
disfarçado de mel,
e quando desperto,
não há céu aberto,
há nuvem cinzenta.
A chuva graúda,
que já não desgruda,
cai forte, não lenta.
Então, recomeço
de novo e tropeço
tanto, que me esqueço
da chuva miúda
Que nem me saúda.

Maria Letra
Abril de 2011

A CHUVA foi tema de 2 poemas deliciosos escritos por Tânia Orsi Vargas e Lázara Papandrea, duas autoras de textos de grande valor literário, cuja interpretação, embora nem sempre fácil, é do melhor que tenho lido. Inspirando-me naquele tema compus, num estilo bem diferente, o poema “Cai Chuva em Mim”.


2 comentários:

Multiolhares disse...

Venho agradecer a visita ao meu humilde cantinho e as palavras generosas que lá deixou, este poema sobre a chuva levou-me até ao meu filho que vive na Irlanda bem mais perto de si do que de mim e o tempo é assim para vocês os dois.
beijos

Maria Letra disse...

Agradeço a sua visita e o seu comentário que refere chuva-Irlanda-filho. Há uns 2 meses que temos vindo a viver dias esplêndidos, ultimamente com tops de alcinhas e sandalinhas nos pés. Hoje foi o único dia em que senti a necessidade de recolocar na cama o meu edredon. Adivinha-se frio para o casamento principesco.
Parabéns pelo elevado nível da sua poesia.