De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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domingo, 26 de março de 2017

Apresentação do Livro "Meu Pequeno Grande País"

É com enorme alegria que, a 3 dias das comemorações do 25 de Abril, apresentarei ao público o meu mais recente trabalho. 
Ao jeito de primeiro “approach”, aqui deixo um excerto do prefácio gentilmente redigido pelo Ex.mo Senhor Professor José Gerós, o qual, para mim, espelha uma muito gratificante interpretação da obra:

“Quando um país não se mede aos palmos!
Leio os versos de “Meu pequeno Grande País” sabendo que esse pequeno país à beira mar plantado tem para os próximos cinco anos um seu político, António Guterres, a liderar uma das principais organizações internacionais, a ONU, que a língua usada pelos seus habitantes é a quinta mais falada no mundo, que os seus poetas e escritores, entre os quais se conta um prémio Nobel, são dos mais conhecidos e estudados por  grandes mestres. (...) Um país que ocupou mas que também sabe receber. A este propósito, relembro as palavras de um amigo meu guineense que trabalhou em  vários países da europa e do mundo: “Portugal não é o melhor país a receber.   De modo solidário e honesto é o único!”.
Fomos um povo reprimido, analfabeto, envolvido em guerra nas colónias,  mas que conseguiu uma democracia sem derramamento de sangue. Como diz a autora: “E foi assim, sem violência, que acabou a prepotência!”.
(...) Foram estas as minhas reflexões quando li os primeiros versos da Maria Letra. Na realidade, um País assim tem de ser lembrado, deve ser objecto de discussão e principalmente deve ser questionado. (...) É este o grito que atravessa as páginas de uma obra onde vejo  mais um manifesto do que um livro de História contada em verso. A autora começa por lembrar uma série de factos que constituem o nosso passado. Escolhe uns, encurta outros, opina sobre todos. Chama a atenção para o essencial, espicaça o leitor a procurar  mais informação para apoiar o Seu ponto de vista ou criar uma visão própria. Não se abstém de criticar mesmo as nossas vitórias, de valorizar sucessos alheios, de relativizar acontecimentos politicamente corretos, de colocar questões pertinentes: “D. Nuno Álvares Pereira… em matar numa Batalha. E virou Santo?... Esquisito!”.
Chegada aos acontecimentos que lhe são contemporâneos, a autora não se coíbe de exemplificar com situações familiares as divisões políticas que se generalizavam no país: mostra as divergências com o pai relativamente a Salazar, aclama a revolução dos cravos, narra o que de bom se realizou e acompanha os principais desafios que o país vive, tais como a criseeconómica, a problemática as reformas, os salários, a postura  da sociedade perante a homossexualidade, a falta de sensatez no momento de votar.
Apelando à luta para que tudo continue a melhorar, a autora finaliza com um voto de esperança:

“Por causa dum mau passado,
e dum presente enevoado,
há gente deste canteiro
que partiu para o estrangeiro.
Está provando ser fecundo
tudo aquilo que aprendeu,
e que este canto do mundo
será sempre, de raiz,
Um Pequeno Grande País!”
  
Vila Nova de Gaia, Novembro de 2016
José Gerós

Imagem da capa da autoria de Jorge Marques