De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

PEÇA TOMBADA



Esta saudade que sinto dói-me tanto
quanto a resistência que perdi
ao saber que partiste deste mundo.
Foram muitos os anos que, entretanto,
não conseguindo evitar, pensar em ti,
fui cavando em mim, um mal profundo.

Tu eras doce fogo, em minha vida,
que alimentava a esperança de te ter.
Foste sombra nos sonhos, que vivia
e, nesse meu sonhar, assaz perdida,
lutava contra o tempo p’ra te ver,
mas o tempo, sem pena..., me iludia.

O futuro que quis, não é mais nosso.
Estou farta desta vida de aquiescência
contra a qual não posso mais lutar.
Oh esta dor, que suportar não posso!
Cada pedaço de mim, é desistência,
é barco abandonado, a naufragar.

Eu queria apenas ver-te, se pudesse...
Não sei como..., nem quando, meu amor,
mas o tempo que tive, se perdeu.
Aquilo que esperava que ele me desse,
não caberá no tempo a meu dispor.
Deixou de pertencer-me. Não é meu.

Para justificar não querer morrer,
estou presa a mil reféns que eu inventei.
Faltar-me-á mais tempo, sim..., talvez,
mas lutarei na esperança de viver...,
porque..., deixar o mundo em que te amei,
seria um cheque-mate de xadrez.

Maria Letra

2015-10-29

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

CARTA ABERTA AOS JOVENS DO MEU PAÍS

Dormir oito horas por dia faz muito bem ao espírito e ao corpo, mas dormir muito mais do que isso pode provocar-Vos estados letárgicos de semi-“consciência” ou mesmo de “inconsciência” absoluta..., estados estes cada vez mais frequentes. Depois, o que é que acontece? Vocês passam à categoria de seres que caminham neste mundo como se buscassem um outro que, provavelmente, idealizam, mas que não existe, por muito esforço que façam, obviamente, para encontrá-lo. Trata-se de um "adormecimento" mórbido, com consequências nefastas. Caminham como quem não sabe onde está, para onde vai, o que é que está a acontecer à sua volta e, muito menos, o que poderão fazer para mudar o que está mal. Às vítimas destes “adormecimentos”, eu chamo-lhes "presenças ausentes".

Esta situação torna-se muito mais grave quando Vocês recorrem a “certas substâncias" que dar-Vos-ão, eventualmente, uma grande coragem momentânea, com “flashes” de uma alegria aberrante e nada contagiante, transportando-vos, facil e provavelmente, à categoria de delinquentes. Tais "substâncias"
abafam as vontades sãs e Vocês deixam de ser jovens impulsionadores de um futuro que se deseja melhor, para passarem a seres infelizes e indesejáveis. Lamento e sofro quando presencio certos cenários e vejo alguns de Vocês a deambular por aí, ora eufóricos e com vontade de “virar o mundo” - estados que acabam por abortar após o efeito dessas "substâncias" - deixando-Vos piores do que estavam anteriormente ao seu uso – ora transformados em farrapos humanos, sem objectivos, sem força e sem iniciativas saudáveis. Tornam-se quezilentos, ciumentos e agressivos..., alternados com estados de perseguição aos fracos.

Não acreditem na "teoria" que Vos impingem certos adultos inconscientes, que afirmam que as chamadas “drogas leves” - cannabis, haxixe, marijuana - não prejudicam e podem mesmo ser benéficas, NÃO CRIANDO HABITUAÇÃO... ISTO NÃO É VERDADE!!!

Maria Letra
2015-09-25

quinta-feira, 16 de julho de 2015

ALGUÉM ME PEDIU A MINHA OPINIÃO? NÃO! MAS EU GOSTO DE DÁ-LA!

AS PREMONIÇÕES DE NATÁLIA CORREIA
"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".
"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".
"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".
"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".
"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"
"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir".
Natália Correia
Lisboa, 16 de Março de 1993
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Esta previsão de Natália Correia, feita em 1993, está fantástica, quanto a mim. Ao longo de 22 anos, os factos comprovam uma triste verdade: esta Senhora tinha consciência duma realidade que anunciou, independentemente das posições que tenha assumido, durante a sua vida, a maioria das quais desconheço. Refiro-me, apenas, a este discurso. Não importa se tu és de esquerda ou de direita, basta que tenhas consciência das opções que assumires ao tomar uma decisão importante, decisão essa que pode vir a prejudicar fortemente a tua Nação, se não souberes escolher o Homem que gostarias de ver governá-la. Tal escolha não deve – de forma alguma – servir o teu partido, mas sim a tua Nação.
Por classe social entendo várias, entre elas:
- a que teve acesso à cultura e que a adaptou a bons princípios que defende; 
- a que teve acesso a uma cultura apenas libresca e que a adaptou a si, para tentar satisfazer as suas excessivas e egoístas ambições; 
- a que não teve acesso – por um ou por outro motivo – à base cultural que poderia ter-lhe dado a possibilidade de julgar por si e não pelo que os outros lhes dizem. 
- etc....
Não acredito em classes sociais ditas ricas e pobres. Não é o ter ou não ter dinheiro que nos coloca num dos dois patamares. São os valores que defendemos e, aí, os patamares são vários.
Temos tido governos escolhidos por maiorias que votam no seu partido, e não no HOMEM que convém por provas dadas das suas grandes qualidades. Essa maioria, confia num programa que lhes apresentam e que vai de encontro à provável satisfação das suas ambições, sem respeito pelas ambições de outros. Mas, nessa maioria, encontram-se também eleitores que, ao votar, não têm consciência da responsabilidade do seu acto porque, provavelmente, foram manipulados por defensores de partidos que funcionam como clubes aos quais são fiéis. Esta é uma realidade, não é uma suposição. Os sacrificados, as grandes vítimas, são aqueles que estão a pagar pela predominância duma classe privilegiada e egoísta. Não estou a refirir-me a uma classe social como é, normalmente, referida: rica, ou pobre. Estou a referir-me a uma classe de gente para quem os valores são, predominantemente, materiais. Quanta gente muito pobre os defende! Eu não seria contra a situação da classe privilegiada desde que, os outros, tivessem direito a uma base segura, que lhes garantisse emprego, um tecto, um bom serviço de saúde e de educação, gratuitos e o direito inquestionável a condições que lhes permitissem uma velhice tranquila, num ambiente de Amor. O que saisse deste grupo de bens de direito, faria parte de conquistas conseguidas, desde que com lealdade, honestidade, e não prejudicando fosse quem fosse.
Eis a razão, acima muito sintetizada, do por quê da existência de tantos privilegiados, em deterimento do chocante número de pessoas que vive na miséria - sem receio de exagerar! – pessoas essas que estão a pagar uma pesadíssima factura por erros cometidos por devoção a partidos e não a Valores.
Maria Letra
2015-07-16

segunda-feira, 1 de junho de 2015

365 DIAS MUNDIAIS DA CRIANÇA















C  R  I  A  N  Ç  A!

Criança, deverias crescer em harmonia.
NasceRes, deu-te direitos e deveres. Uma lei adequada,
tua, inquestIonável, para que vivas sempre feliz dia, após dia.
Não podes abusAr, mas, igualmente, não deverás, jamais, ser abusada.
Tu és a nossa EsperaNça, num Presente onde impera dor e tanta desilusão.
Urge gerar amor e confianÇa, para que caminhes sem medo de seres traída
por esse grupo de gentalha,  mAl formada, actuando, por opção, contra a Nação.  

Maria letra
2015-06-01


sábado, 23 de maio de 2015

QUEM SOU

                                                                                           QUEM SOU
Sou um produto do tempo, um ser com o carácter moldado pelas boas e más experiências que foi vivendo, ao longo dos anos. Esse tempo é já longo e modificou, também, o meu aspecto físico, colocando algumas rugas no meu corpo, mas nenhumas na minha alma. Esta viajará sempre jovem, silenciosamente indiferente aos riscos que vou correndo. Permanecerá “colada” a mim, enquanto a minha mente estiver activa. Como “utente” do meu corpo, usa e abusa dele, mesmo quando contrária ao que eu vou decidindo fazer da minha vida. Provavelmente acredita no meu sentido de responsabilidade… Eu não sei se merecerei essa confiança, mas ela sabe que a sua permanência em mim, é efemera, e que a sua libertação acontecerá um dia, quando a minha mente parar de comandar-me. Desvincular-se-á, então, do meu corpo, partindo em liberdade, sabe-se lá para onde. O que hoje aceitamos como sendo uma Verdade mentirosa, amanhã poderemos ter de concluir ter sido uma Mentira verdadeira. Tem sido sempre assim, ao longo de séculos e séculos…

Maria Letra

quarta-feira, 6 de maio de 2015

FOI NESSE DIA

… e foi nesse mesmo dia,
e nessa data precisa,
que entraste na minha Vida
para sempre! Decidida,
passei a sentir Magia
num viver que simboliza
a mudança e o valor,
que tem a força do Amor.

Maria Letra
2015-05-06

domingo, 3 de maio de 2015

UM ABRAÇO, MÃE!

UM ABRAÇO, MÃE!

Onde quer que estejas, Mãe,
este poema é p’ra ti,
como estando tu, aqui...
..., não nesse remoto Além.
Estou carregada de dor,
mas, também, de tanto Amor.
Sabes da minha Saudade,
e do quanto gostaria
ter-te connosco, este dia,
da tua Maternidade.
Mas não venceu a melhor
e foi a Morte, agressora,
que uma vez mais, vencedora,
levou Vida, deixou dor.
Porém..., não nos separou.
Eu sinto a tua presença
leve..., serena e muda.
Não me fala, me saúda
acenando. Que sentença,
maldita, te deu a Morte
quando, de nós, te levou.
Não sei como se passou.  
Não sei se rumaste a Norte,
onde creio o Além morar.
Só sei que ‘stou à deriva,
e sem outra alternativa
ao que uma Mãe pode dar.

Onde quer que possas estar...
Não deixarei de te amar!!!

Maria Letra
2015-05-03

MÃE-SER-OU-NÃO-SER


quarta-feira, 29 de abril de 2015

POUCA TERRA! MUITA GUERRA!

Há ruídos na floresta,
perturbando o ambiente.
Uma corrente, funesta,
rouba paz a um ror de gente.
Pouca terra! Muita guerra!

Desigualdade danada!
Uns estão de tudo atolhados,
outros sufocando em nada.
Há seres muito inconformados.
Pouca terra! Muita guerra!

Os ricos no mundo..., abundam!
Pretendem não ver as gentes
que, na miséria, se afundam
em cenários deprimentes.
Pouca terra! Muita guerra!

Passou a reinar o caos.
Já não há mais quem se entenda.
Os pobres viraram maus,
cada um que se defenda.
Pouca terra! Muita guerra!

Um lado insano, profundo,
gera guerra em todo o mundo!

Maria Letra
2015-03-04

sábado, 25 de abril de 2015

CRAVOS SEM COR



Não é a cor que te diz
por que me escolheste a mim...
Aquilo que, um dia, fiz,
laranja, branco ou carmim...
foi festejar liberdade,
e nunca adversidade.


E..., finalmente, o que resta
dessa ambição que existia?
Um regime que não presta!
Pouco pão, muita alergia!|
Gentinha que só de vê-los
sinto arrepios nos cabelos...

Era uma vez... ditadura!
E agora? O que é que há?
Estão abrindo a sepultura
a muitos de nós! Vá lá...,
acordem! Estão-nos tramando
e nós...., sempre escorregando...

Escolham homens, não partidos.
Não à cor, sim ao programa,
senão..., seremos traídos!
Votem em gente com fama
de ter sempre, enfim, primado
por ser alguém bem formado.

Ergo os meus cravos, sem cor,
por um Portugal melhor!

Maria Letra
2015-04-25