De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

Outros blogues:
http://www.worldartfriends.com/pt/users/maria-letra
http://www.recantodasletras.com.br/escrivaninha/

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

DESPEDIDA DO ANO DOIS MIL E NOVE

Estás na hora da partida,
Emalando os teus haveres.
Que pobreza de conteúdo!
Quando tu eras miúdo,
Entraste num mundo em festa,
Com uma lista gigantesca
De coisas, para fazermos,
Sem ideias, sem sabermos,
Porque lado começar.
Mas impunha-se avançar!
Portugal, estava abatido
Pelo que tinha perdido.
Havia uns, que corriam,
Outros que nada faziam.
Muitos passavam o tempo
Fazendo dele passatempo,
Enquanto outros, honestos,
Organizavam protestos
Contra a gula e a luxúria
De muitos, p'ra cuja incúria,
Não há justiça que valha.

Estamos cheios de gentalha!
Vais partir triste e deixar
Muita gente, a meditar,
Com perguntas sem resposta.
Eu faço-te uma proposta:
Diz ao teu filho, hoje à noite,
Que reze por um milagre,
P'ra que a guerra não deflagre.
Estamos cá para ajudá-lo.
Somos muitos a apoiá-lo!

Maria Letra
31-12-2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

OS MEUS VOTOS DE BOAS-FESTAS

 
 
DESEJO A TODOS UMA PASSAGEM DE ANO EM PAZ E CHEIA DE DETERMINAÇÃO
 
PARA CONTINUARMOS A LUTAR POR UM MUNDO MELHOR!
Um grande abraço.
 
Maria Letra

É MELHOR PASSAR À ACÇÃO

Mas o que é que os Portugueses
esperavam este Natal?
Um presente especial?
Há discursos! Há promessas,
num país todo às avessas!
Estivemos à espera meses
e, como sempre, afinal,
tentam convencer a malta
de que as coisas estão melhor
quando estão mas é pior.
Num jeitinho muito antigo,
p'ro qual é preciso estofo,
vão enganando a Nação
(que está farta de discursos).
Muitos, viraram piursos
e pensam, tal como eu.
Em que ficamos, então?
Promessas …, cheiram a mofo!
É melhor passar à acção!
Maria Letra

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

sábado, 19 de dezembro de 2009

A IRREVERSÍVEL PARTIDA DE MAIS UM ANO

 Mais um ano está a despedir-se de nós, cabisbaixo, lamentando não termos sabido aproveitar o tempo que colocou à nossa disposição para cumprirmos os objectivos que lhe havíamos prometido quando nasceu. Ele deu tudo de si, deu tempo, deu vida, deu confiança, deu esperança, quatro valores que herdou dos seus antepassados que, como ele, partiram com a sua bagagem vazia. Pouco levaram para oferecer à História do Mundo. Partiram

- cheios do oportunismo de quem se aproveitou do seu tempo para semear ódio;

- cheios do materialismo de quem se aproveitou do seu tempo para pensar em si e nunca nos outros;

- cheios do egoísmo de quem se aproveitou do seu tempo para viver, sem dar aos outros esse
  previlégio;

- cheios da traição de quem se serviu da caridade para brilhar num universo estrelado;

- cheios da maldade de quem se aproveitou do seu tempo, para destruir a vida;

2008 foi traído, tal como foram traídos os seus antepassados. 2009 irá morrer levando o mesmo na sua bagagem: pouquíssimo do tanto que deveria poder levar consigo. Mais uma uma vez, 2009 irá assistir, como cerimónia fúnebre, ao estourar de milhares de garrafas de champanhe, que se abrem, umas atrás das outras; mesas que vão abarrotar de doces para saciar ‘descompensados’; foguetes que enfeitarão os céus, numa tentativa de entusiasmar os que perderam o entusiasmo ou os que procuram mantê-lo; milhares de seres humanos que vê-lo-ão partir sem saudade, contudo, cairão lágrimas de dor, não sei se por vê-lo partir sem levá-los, ou se por sentirem que vão ter de viver mais um outro, em sofrimento.

Também eu não consegui dar tudo de mim pelos outros. Não foi porque me tivessem pedido demasiado, foi porque eu sou demasiado frágil para dar tanto. Não me perguntem se estou feliz por ter passado mais um ano pela minha vida. Começa a afigurar-se-me que os anos estão a correr depressa demais. Mas estou feliz por entrar um Novo Ano. Pode ser que tenha a oportunidade de fazer muito do que me falta, ainda, fazer. Digamos: “Pôr a escrita em dia”. Tenho atrazado muito o cumprimento de certos deveres para comigo mesma. Eu sei, eu sei que terei de ser veloz. Não importa, correr é comigo. Sempre foi. Os ingleses têm por hábito dizer que é bom não sentirmos o tempo passar. Esta tem sido a minha forma de esconder-me dos anos. Pode ser que ainda aguente fazer isso por mais alguns … porque o que é certo é que, força, ainda não me faltou. Tenho tanta coisa ainda por fazer, Deus meu!!! Até 2006, não sabia se comigo aconteceu que foi o tempo que passou por mim sem me ver ou se terei sido eu quem se escondeu dele para fugir à sua implacável justiça. A partir daí tudo mudou. Isso não significa, porém, que me sinta “arrumada”. Não, renunciar não faz parte dos meus projectos. Reservarei, dos anos que ainda me restam, uma fatia grande para os meus nétinhos, que quero amar como nunca nenhuma avó amou. É isso que eu quero. Não serei uma avó de fazer tricot, de andar atrás deles para comerem a papinha toda, de dizer-lhes para se agasalharem bem quando está frio ou preveni-los para não tirarem os chapéuzinhos da cabeça quando faz sol. Eu sou uma avó que ama, ama, ama e, quando lhe sobra tempo, ama ainda outra vez. Amor é a minha palavra de ordem, a todo o momento, enquanto me fôr dado poder usar o tempo dos anos, para AMAR.

Maria Letra
Imagem da net

UM POUCO DE MIM EM 5 REVELAÇÕES



A Ana Paula Fitas lançou o desafio de completar as 5 frases que se seguem, ao amigo Carlos Barbosa de Oliveira, o qual, por sua vez, lançou-o a mim. Eis, pois, as minhas respostas:

- Eu já tive … trinta e treze anos.

- Eu nunca … quis ser perfeita.

- Eu sei … que Portugal vai muitA mal!!!

- Eu quero … servir-me do que a democracia colocou à minha disposição, para incrementar a luta por
   um mundo melhor.

- Eu sonho …

a) com maior igualdade económica para que cada cidadão usufrua do seu direito a uma vida condigna.

b) com uma justiça … mais justa!

c) com uma tolerância menos tolerante, para quem é, comprovadamente, criminoso.

d) com um melhor serviço de saúde, o qual DEVERÁ ser gratuito para quem não reune as condições   
    económicas, básicas, que lhe permitam alimentar-se e tratar-se convenientemente.

e) com uma completa revolução estrutural do ensino, direccionado para a formação moral e cultural do
    homem que, no futuro, será responsável pelos destinos do seu País, seja em que campo fôr.

Etc., etc.

Isto é um sonho? Talvez. Mas deixem-me sonhar!

Mandam as regras que indique, aqui, 10 bloggers que queiram dar continuidade a este desafio. Irei colocar-lhes este desafio, após finalizar a edição deste post.

Mario - Raquel Agra – palavraspoeticas – penelopesantana – lidulcinea – Inês Félix – Carlos Pinheiro – melissa – Tite – maria teresa

Nota: Este post esteve no meu blogue http://marialetra.blogspot.com. Contudo, porque a sua edição nessa página era temporária como, aliás, tinha prevenido, passei-o agora para este blogue porque o problema técnico que tinha aqui, que me impossibilitava de fazer downloads de imagens, foi resolvido através do recurso ao Firefox Mozila, em vez de Internet Explorer.

Maria Letra
2/11/2009

UM GESTO DE AMOR

Este poema foi feito para homenagear um grande Senhor, criador dos blogues “Do Mirante” e “Do Miradouro”, quando se comemoraram as suas 3 risonhas primaveras. Ele foi, também, fundador do blogue “Sempre Jovens”, em que fui colaboradora, o qual tem recebido merecidos elogios da parte de quem o visita.


Parabéns, caro João,
Por este dia de festa!
São coisas do coração
Que movem outras como esta,
De criar um Miradouro
E um Mirante, também.
Dois blogues como ouro
Citando o que mais convém,
E o que me surpreende,
E que não vejo em nenhum,
É escrever sôbre o que sente,
Sem tomar partido algum.
No princípio, meu amigo,
Talvez pela minha idade,
Não queria ‘levar consigo’
A chamar-me à realidade.
É que aquilo que escrevia,
Activava o meu pesar
De coisas em que insistia,
Não voltar a recordar.
Estava farta, estava cheia,
De tanta corrupção
Que sabia, volta e meia,
Abalar minha Nação.
Mas foi aqui, neste espaço,
Que despertei, novamente,
Daquele meu grande cansaço
E voltei a estar presente.
Presente sim, por AMOR
Lado a lado com o João
E com aqueles em que dor,
Seja a sua condição.
Parabéns, meu querido Amigo,
Deus lhe deu um grande dom.
Eu estarei sempre consigo,
Por ser um Homem tão bom.
DISSE BOM e não bonzinho,
Que m’ entenda, por favor.
Parabéns querido amiguinho!
Lute sempre, pelo Amor!
Com um grande abraço da amiga,

Maria Letra
19/11/2009

ASSIM VAI O MEU PAÍS

A Assembleia da República
é palco de cena lúdica,
que pode ver-se em TV.
O Português já não crê
e começa a criticar
quem está lá, em seu lugar,
p’ra defender seus direitos.
Os cidadãos, contrafeitos,
vêm morrer seu país,
de caruncho na raiz.
Lá dentro, uma palhaçada
de gente, nada engraçada,
brinca co’a boca do lobo,
esquecendo a força do povo
que, cansado desta cena,
e a sofrer, por muita pena,
não acredita em conversas
de tendências bem diversas,
do seu tema principal:
A Injustiça Social.
Porque esta farsa de estado,
no qual se sente afundado,
é composta de pessoas
que são tudo, menos boas
p´ra governar Portugal.
Assim, será bem normal
que se levante uma onda
de protestos que, sem conta,
vão acabar por punir,
quem insistiu em dormir,
em vez de lutar, com garra,
contra esta gente bizarra,
que só pensa no seu tacho
e faz do povo um capacho.

Maria Letra
2009-07-20

ATÉ QUANDO SEM RESPOSTA


Nas perguntas - e são tantas!
Que me faço dia-a-dia,
Sem respostas encontradas ...,
Há esta que eu gostaria
De saber esclarecida,
Porque não me dá descanso:
Porque sofrem as crianças
Que tanta gente ignora,
Magoadas, maltratadas
Por vis adultos, sem pejo
De ferir as suas mentes
De doces seres inocentes?
Como é que alguém acredita
Em milagres, Santos Deus,
Quando crianças padecem
Dores de bradar aos céus,
Arrastando em seu sofrer
Outras pessoas que sentem
A dor de vê-las assim?
Que desgraça, que desdita
Termos de assistir, meu Deus,
Aos que não se compadecem
Com tanto mal. Que fazer?
Permitir que as violentem,
Deixando este mal sem fim?
Toda a justiça que adia
Veredictos por sair,
Não é justiça, é indecência.
Porque, entretanto, essa via,
Continua a permitir
Uma enorme prepotência.


Maria Letra





STOP THE WARS!

Let me sing in a very loud voice,
Full of love for all the million ones
Who cannot stand, as me, the noise,
Of the evil fire of assassin guns.
Let me sing a song like a cry,
With all the people who can’t claim
For an answer to their question, why
So many children have to be in pain.


Stop the wars.
They can Kill innocent lives,
Who might go for good,
While the bad survive.
Let us live in peace,
In a world of good laws.
Let the guns cease,
The cruelty they cause.
We are bodies who search,
To find our own way.
Some, look for a church,
Others, curse while we pray.


Let my song open your sleeping minds
Before it’s too late to do the right thing.
I am singing for races of all kinds
Who may wish to see a next Spring.
And if you don’t want to hear me,
Leave us alone, choose your own place.
You might go away, live on a sea,
Where you’ll find yourself, in disgrace.


Stop the wars.
They can Kill innocent lives,
Who might go for good,
While the bad survive.
Let us live in peace,
In a world of good laws.
Let the guns cease,
The cruelty they cause.
We are bodies who search,
To find our own way.
Some, look for a church,
Others, curse while we pray.


Maria Letra

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

SORRI! - UM POEMA À MINHA 1.ª NETA


Sorri!
Enche os teus olhos de brilho
E de ternura.
Semeia esperança
Em cada sepultura.
Tu és a vida,
A luz, a alegria
Da lua nova que surge,
Em cada dia.
Sê forte, serena
E confiante.
Faz do Amor
O teu grande amante.
Vive p'ra ele.
Faz-nos sentir
Que, em todo o ser,
Há uma forma de sorrir.


Maria Letra
Fotografia do album de família

SEIS FILHOS, SEIS CÔRES

Paulo: Castanho!
Porquê?
Por causa do tamanho,
Do olhar,
Do temperamento,
Forte e seguro
Em qualquer momento.
Alfredo: Azul!
Porquê?
Não sei ... É uma côr que acalma
O turbilhão que traz,
Teimoso,
Em sua alma.
Miguel: Vermelho!
Porquê?
É fogo quente no seu peito branco.
Dá vida à arte, que eu amo tanto!
Pedro: Amarelo!
Porquê?
Porque me recorda
Um canáriozinho,
Sempre irrequieto,
Dentro do seu ninho.
Susana: Branco!
Porquê?
É fresca e suave
Como a água que corre
Vinda da montanha.
Mas que alma tamanha!
André, Turqueza!
Porquê?
Jóia preciosa de rara beleza.
Derradeiro prémio
De tanta riqueza!












Maria Letra
Imagem de: RecadosOnline

A PINTURA E O PINTOR


Opaca - Confuso
Trivial - Obtuso
Transparente - Leal
Geométrica - Vertical
Subjectiva - Irrealista
Objectiva - Realista
Inventiva - Criador
Repetitiva - Maçador
Sem forma – Mórbido
Cinzenta - Sórdido
Sensual - Amoroso
Minimalista - Preguiçoso


Maria Letra
1983-Março
 
Imagem extraída da net

MIL NOVECENTOS E OITENTA E TRÊS

Um cubo cinzento,
Corpos metidos lá dentro.
TVs, videos e cassettes,
Movem marionetes.
Bebe-se uma boas “pingas”
E mastigam-se “chewingas”.
Fala-se, mas nada se diz.
Em tudo mete-se o nariz.
É assim é que o “peixe” se vende ...
A gritar é que o povo se entende ...
Sugerem-se novas mudanças
No Governo. As crianças ...
Coitaditas! Como sofrem ...
Vêm-se aflitas.
São brinquedos, são cobaias,
Quer usem calças ou saias.
Dão provas de resistência
Com enorme paciência.
Que loucura! ...
É um mal que não tem cura,
Nem remédio ...
.............................
Surge o tédio,
O medo, a dor, o tormento.
O cubo não resistiu
E partiu. Tudo acabou!
A aparelhagem, estourou.
As vozes loucas, calaram
E as gargantas secaram.
Destruição completa
Naquele espaço,
Tão curto,
Tão escasso.
Nos olhos duma criança,
Uma lágrima descansa!


Maria Letra
Imagem da net

MENSAGEM

Uma gota caíu,
Suave, no meu braço.
Trazia consigo
A mensagem, serena,
Dum abraço.
Um abraço bem longo,
Meiguinho, profundo,
Que me fez vibrar
E adorar o mundo.
Senti-me viver,
Ser amada, amar ...
Co'a mesma grandeza
Com que se ama o mar.
Mergulhei nas ondas,
Tranquilas, dum sonho.
Vi felicidade
Num rosto risonho.
Eras tu, meu filho.
Corremos os dois
Felizes, contentes.
Dei largas à vida
Que tu tens e sentes.
Parámos. Que vimos?
Ovelhinhas brancas,
À volta das mães,
Sedentas de mimos.
Pegámos um filho
Pequenino, branco.
Era tão docinho ...
Que amor!...
Oh que encanto!...
Falaste ao pastor,
Fizeste perguntas.
-"Gostas das ovelhas?
- Quantas tens?
- São muitas!..."
Cheiraste uma flor,
Escutaste um hino.
De repente, um sino,
Falou-nos do tempo.
- "É pouco, não chega..."
(Ouvi num lamento...)
-"Meu filho, não chores,"
Voltarei de novo".
-"Está bem, não demores!..."
Eu sei o que sentes,
Eu sinto-o também.
Desejo esse dia,
Mas tarda, não vem.
Deste-me uma prenda
Que quase não via.
Pediste-me: "Esconde-a".
E desde esse dia,
Com grande paixão,
Guardo um diamante
No meu coração.

Maria Letra
Imagem da net

POLOS OPOSTOS











Seguro a mão que me foge,
Fujo à mão que me procura.
Trato a f 'rida que tu sentes,
Quando a minha não tem cura.
Tu és a fonte que busco,
És a maré que arrefece.
És a lenha que crepita
Em fogo que não aquece.
Eu sou a raiva, o tormento,
Sou a rocha, a solidão.
Sou areia que pisaste
Deixando marcas no chão.
Eu sou a cal que branqueia,
Sou o fumo que se esvai.
Sou uma onda que vem,
Enquanto uma outra vai.

Maria Letra
Labruge-Imagem de album pessoal

A MÁSCARA

                                                     Um gesto estudado,
um rosto cansado,
sem brilho, sem côr.
Um falso sorriso,
no momento preciso,
em tempo de amor.
Um "wisky" com soda,
corta a inibição.
Quem sabe? Talvez ...
aquilo em que crês,
seja uma ilusão.
Seguras a vida
como que aturdida,
aos poucos, morrendo,
calada, a falar,
falando, calada,
sem amor, a amar,
a olhar, não vendo.
Onde queres chegar?

Maria Letra
Imagem extraída da net

domingo, 13 de dezembro de 2009

EU QUERO VER-TE FELIZ (à Susana, minha única filha)


Eu quero ver-te e sentir-te
Como uma açucena em flor,
Guardar-te bem, no meio peito,
Como água cristalina
A descansar no seu leito.


Quero ver-te muitos anos,
Saudável, fresca, risonha,
A brincar, alegremente,
A rir com outras crianças
 E a saltitar de contente.

Quero que sonhes, que vivas,
Que construas sôbre a base
De tudo em que acreditas.
Que todo o bem faça eco,
Que todo o mal não repitas.


Mas, se algum dia sentires
Que falhaste, doce filha,
Nunca te sintas perdida.
Os teus erros serão sempre
Lições dadas pela vida.



Quero ver-te uma Mulher
Mas, sobretudo, uma Mãe,
P'ra nunca te sentires só.
Além disso, há alguém,
Que também quer ser avó.


Maria Letra

O QUE É SER HOMEM, MÃE?

Ser homem, meu filho,
Quanto a mim,
É algo mais do que,
Correctamente saberes,
Como falares ou escreveres,
Teres altos cargos,
Ou ombros largos.
É algo mais do que,
Teres altura,
Ou uma barba dura,
Teres forte músculo
Num coração minúsculo.
Ser homem, meu filho,
É saberes falar
Sem ofender ou maltratar.
É pores amor
Em qualquer função,
Que tu exerças,
De alma e coração.
É não provocares um mundo pior.
É saberes lutar
Por uma vida melhor.
É seres bom e compreensivo
No momento preciso



Ser homem, meu filho,
Quanto a mim,
É dares sempre um braço
Que passe calor
Ao ombro de alguém
Que precisa de amor.
É respeitares sempre o espaço
De quem, como tu, quer ser Homem.
É muito mais do que o que pensa
Meio mundo a morrer,
Por não saber viver.
Sinto um imenso prazer
E um orgulho sem fim
Em ter-te deixado nascer!


Maria Letra

O VINTE E CINCO DE ABRIL E EU - Percurso de Vida


O período mais significativo na construção da minha estrutura psicológica de hoje, decorreu entre 25 de Abril de 1974 e o tempo actual. Antes desta data, nada do que fiz na minha vida tem, seja o que fôr, a ver com aquilo que eu teria feito se tivesse a consciência que tenho hoje. Contudo, devo salientar que as mudanças que se operaram em mim, não foram imediatas. 35 anos passaram, durante os quais fui acumulando conhecimentos e experiências que conduziram à consciencialização pessoal do que estava mal em mim, parcialmente em consequência de traumas de infância. A minha memória está cheia de recordações. Umas muito boas, outras boas, outras nem por isso e, ainda outras, realmente para tentar esquecer.

Depois do episódio que narrei aqui no blogue, com o título “A minha primeira desilusão”, muitas outras desilusões aconteceram, as quais me levaram a tomar atitudes nem sempre aconselháveis, mas eram as possíveis, naquela época. Pouco a pouco, comecei a sentir que a minha vida estava a tornar-se como que um novelo de fios emaranhados uns nos outros, tornando difícil a sua organização. Mas eu habituei-me a refazer novos novelos da melhor forma. Tornei-me perita em resolver situações, embora nem sempre com sucesso, repito, mas quando consigo vencer esses obstáculos, sinto uma sensação enorme de felicidade pela "missão cumprida". Que outra coisa melhor me habituei a fazer, além de desembaraçar-me dos fios que se entrelaçaram na minha vida? Talvez brincar com as crianças, olhar os lírios dos campos, admirar o sol que nos aquece e a água que nos refresca...

QUERO CONTINUAR CRIANÇA

Nasci. Fiz Sorrisos
Em rostos que não sorriam,
Em bocas que não se abriam.
Fui menina.

Cresci. Vi sofrimento
Em quadrados sem luz,
Onde a vida era uma cruz.
Fui criança.

Sofri. Com outras raparigas,
Companheiras maltratadas,
Nunca ouvidas, nunca amadas,
Fui jovem.
                                             
Amei. Braços caídos,
Num corpo vivo, sofri.
Dei amor, não recebi.
Fui adulta.

Lutei. Cheia de amor,
Pelos filhos que quis ter ...
Meu Santo Deus! Que prazer!
Fui mãe.

Desajustada,
Neste mundo que rejeito,
Sentindo um peso no peito,
Fui mulher.

Desiludida,
Nesta mal cuidada vida,
Resta-me, ainda, a 'sperança
De permanecer mulher,
De continuar criança.

Maria Letra
Imagem da autoria de Miguel Letra

POEMA AO MEU PRIMEIRO FILHO

Nasceste, tal como eu,
Em Coimbra, linda Terra.
Foste o primeiro rapaz,
Um menino, filho meu!
Tens uma alma que encerra,
Uma força bem tenaz.

Vais enfrentar teu destino
Com muita capacidade
E tanta compreensão.
Apesar de pequenino,
E ainda pouca idade,
Tens um grande coração.

Nos teus 2 anos, apenas
Tens um olhar bem profundo,
Num rosto muito expressivo.
Tuas mãozinhas, pequenas,
Querem agarrar o mundo,
Mas ele não é permissivo.

Terás muito que aprender,
P'ra defenderes-te do mal,
Que te espreita em cada canto.
Por isso, ver-te crescer,
É meu alvo principal,
Uma missão que amo tanto.

 
 
 






Maria Letra

SÓ ENTRE A MULTIDÃO


Sinto-me confusa.
Sinto a solidão
De quem está perdida
Entre a multidão.
Sinto o peso horrível
Dum grande penedo
Em cima de mim ...
E tremo de medo.
Rostos sem expressão,
De dentes cerrados,
Oferecem-me tudo,
Mas nada darão
Pois, do que preciso,
Eles nunca terão.
São corações frios
Sem vida, a gelar ...,
Que nunca sentiram
A arte de amar.
E, em vez dum sorriso,
Ou palavra amiga,
Contam sua história,
Sem jeito, sem vida.
Morta de cansaço,
Sinto-me vencida,
Ausente, perdida.
Perdida a lutar,
Com tanta ternura,
Com tanto p’ra dar.

Maria Letra
Imagem da autoria de Miguel Letra

REJEIÇÃO

Dediquei a minha vida
A dar, a dar, por Amor.
E quando não pude mais,
Já nada de mim havia ...
Disse NÃO à tirania
Que fez de mim o que sou.
O meu corpo se cansou,
Mas nele existe a Mulher,
Que pecou por perdoar,
Sem conseguir esquecer,
Que conserva o coração,
Que fez tudo por carinho
E nunca por compaixão.
Fui amiga e companheira,
A minha alma era sã.
Se fui Mulher no passado,
Sê-lo-ei mais amanhã.


Maria Letra
Fotografia de Miguel Letra

CRUELDADE

                                                
Quadrados cinzentos.
Crianças despidas,
Descalças, sem côr,
Sem identidade.
No seu peito a dor.
Dor que nos transmitem
Dos seus olhos tristes,
Com que olhem o mundo,
Sem paz, sem amor.

Que viver cruel!...
Tanta gente inútil.
Qual o seu papel
Neste vil cenário?
Há muito o 'squeceram,
Ou nunca o souberam.
Tantos com brasão,
Mas sem coração.
Não há comentário!...Mas é co'a criança
Que se aprende a dar.
É flor que não cansa,
Que acalma, que amansa,
E não deixo de amar.



Maria Letra
Fotografia extraída da net