De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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sábado, 19 de dezembro de 2009

A IRREVERSÍVEL PARTIDA DE MAIS UM ANO

 Mais um ano está a despedir-se de nós, cabisbaixo, lamentando não termos sabido aproveitar o tempo que colocou à nossa disposição para cumprirmos os objectivos que lhe havíamos prometido quando nasceu. Ele deu tudo de si, deu tempo, deu vida, deu confiança, deu esperança, quatro valores que herdou dos seus antepassados que, como ele, partiram com a sua bagagem vazia. Pouco levaram para oferecer à História do Mundo. Partiram

- cheios do oportunismo de quem se aproveitou do seu tempo para semear ódio;

- cheios do materialismo de quem se aproveitou do seu tempo para pensar em si e nunca nos outros;

- cheios do egoísmo de quem se aproveitou do seu tempo para viver, sem dar aos outros esse
  previlégio;

- cheios da traição de quem se serviu da caridade para brilhar num universo estrelado;

- cheios da maldade de quem se aproveitou do seu tempo, para destruir a vida;

2008 foi traído, tal como foram traídos os seus antepassados. 2009 irá morrer levando o mesmo na sua bagagem: pouquíssimo do tanto que deveria poder levar consigo. Mais uma uma vez, 2009 irá assistir, como cerimónia fúnebre, ao estourar de milhares de garrafas de champanhe, que se abrem, umas atrás das outras; mesas que vão abarrotar de doces para saciar ‘descompensados’; foguetes que enfeitarão os céus, numa tentativa de entusiasmar os que perderam o entusiasmo ou os que procuram mantê-lo; milhares de seres humanos que vê-lo-ão partir sem saudade, contudo, cairão lágrimas de dor, não sei se por vê-lo partir sem levá-los, ou se por sentirem que vão ter de viver mais um outro, em sofrimento.

Também eu não consegui dar tudo de mim pelos outros. Não foi porque me tivessem pedido demasiado, foi porque eu sou demasiado frágil para dar tanto. Não me perguntem se estou feliz por ter passado mais um ano pela minha vida. Começa a afigurar-se-me que os anos estão a correr depressa demais. Mas estou feliz por entrar um Novo Ano. Pode ser que tenha a oportunidade de fazer muito do que me falta, ainda, fazer. Digamos: “Pôr a escrita em dia”. Tenho atrazado muito o cumprimento de certos deveres para comigo mesma. Eu sei, eu sei que terei de ser veloz. Não importa, correr é comigo. Sempre foi. Os ingleses têm por hábito dizer que é bom não sentirmos o tempo passar. Esta tem sido a minha forma de esconder-me dos anos. Pode ser que ainda aguente fazer isso por mais alguns … porque o que é certo é que, força, ainda não me faltou. Tenho tanta coisa ainda por fazer, Deus meu!!! Até 2006, não sabia se comigo aconteceu que foi o tempo que passou por mim sem me ver ou se terei sido eu quem se escondeu dele para fugir à sua implacável justiça. A partir daí tudo mudou. Isso não significa, porém, que me sinta “arrumada”. Não, renunciar não faz parte dos meus projectos. Reservarei, dos anos que ainda me restam, uma fatia grande para os meus nétinhos, que quero amar como nunca nenhuma avó amou. É isso que eu quero. Não serei uma avó de fazer tricot, de andar atrás deles para comerem a papinha toda, de dizer-lhes para se agasalharem bem quando está frio ou preveni-los para não tirarem os chapéuzinhos da cabeça quando faz sol. Eu sou uma avó que ama, ama, ama e, quando lhe sobra tempo, ama ainda outra vez. Amor é a minha palavra de ordem, a todo o momento, enquanto me fôr dado poder usar o tempo dos anos, para AMAR.

Maria Letra
Imagem da net
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