De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

DIZER ADEUS A 2010 ..., SORRINDO!


Quero partilhar com a família e com os amigos, mesmo que ausentes, este último dia do ano. Recuso-me a atribuir ao ano 2010 culpas das nossas angústias. Quem está vivo, deveria olhar para a sua partida de sorriso nos lábios, pois muitos, neste momento, sofrerão profundamente, grandes e pesados dramas. Mas nós estamos vivos e capazes de lutar para que, no amanhã de todos, possamos ver o Mundo melhorar, dia-após-dia. É certo que isso exige de nós muitas cedências, alguns sacrifícios, mas a recompensa enorme, dada através dos resultados que possamos obter, será gratificante! Não deveremos esquecer, porém, que alguns passos irão ser de retrocesso, mas será, com esses mesmos passos, que iremos reconhecer onde errámos. Ninguém é perfeito. Basta que esses passos tenham sido dados, apesar de tudo, com o coração na sola dos pés, para que não fique o arrependimento ou qualquer mancha de desonestidade e de imoralidade, três factores altamente maléficos, no progresso que deveríamos contemplar, alheio a ganâncias e atitudes preversas. Estes têm sido - em grande escala - o que mais nos tem sido dado observar, lamentavelmente.

Relativamente longe do meu País, por opção pessoal, eu peço ao meu Deus proteção para todos aqueles que vivem lutando por um Mundo Perfeito - não direi mais-que-perfeito - sendo que, para mim, a Perfeição só existirá se, acima de tudo o que possamos fazer, sejam tomadas diretrizes no sentido de dar a toda e qualquer criança, independentemente das suas origens, aquilo de que NUNCA deveriam carecer, i.e., DE RESPEITO!!!

Maria Letra
Imagem de Stockvault.net

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ESTE MUNDO DE LOUCURA








Cubos e Caixas,
Barracas baixas.

Robots e Peças,
Ruas, Travessas.

Máquinas, Contas,
Cabeças tontas.

Governos, Ministros,
Rostos Sinistros.

Dólares, Escudos,
Tostões miúdos.

Prisões, Tortura,
Droga, Loucura.

Um mundo cão,
Sem compaixão.

Está tudo em mim.
P'ra quando o fim?


Maria Letra
Lisboa, Outubro de 1982
Imagem de Zita Kamugira

MENDIGO DE VIDA


Um cigarro na boca,
Um olhar cansado,
Uma voz já rouca,
Num ar aluado.
O seu corpo pesa
E treme de frio.
Sua alma resa,
Num grande vazio.
Esqueceu a família,
Ninguém o procura,
Ficou de vigília
À noite, tão dura.
Seu corpo, estendido,
Indiferente e só,
Deixa, bem dorido
No meu peito, um nó.
Sinto um vento frio,
O meu corpo treme.
Dói-me o seu vazio,
Qual barco sem leme.
Sua mão, que agarro,
Está cor de marfim.
Tirei-lhe o cigarro.
Que dor sinto, em mim!
Olhou-me, ausente,
Não sei se me viu
E triste,  doente,
Da vida partiu.

Maria Letra
28/12/2010
Imagem da net

sábado, 25 de dezembro de 2010

UMA QUESTÃO DE ORGULHO


















Irmãos Portugueses, vítimas como eu,
Da impunidade de muitos desonestos.
Expirou o prazo de resistência à dor.
Portugal é de todos nós, não é só meu.
Levantemos uma forte onda de protestos,
Contra os inimigos da força do Amor.
Não devemos continuar indiferentes
Ao abuso do poder duma certa malta
E aos seus sucessivos golpes financeiros.
Nós não somos mais um molho de inocentes
Que se conquista com as luzes da ribalta,
Projectada por camafeus interesseiros.
Enquanto, sacrificados pelo abuso,
Dum poder em reconhecida decadência,
Que continua a ignorar-nos com desdém ...
O Zé Povinho, com olhar já meio obtuso,
Continua a ver uns que vivem muito mal,
Enquanto outros, oh Deus Meu, vivem tão bem.
Porque deixamos que esta vergonha, crassa,
A que políticos, sem pejo, nos condenam,
Continue a afundar-nos na miséria?
Seremos nós indiferentes à desgraça?
Onde 'starão, afinal, os que mais ordenam?
Era verdade ou apenas uma léria?
Palavras d'ordem? Para quê? Não precisamos!
Todos nós sabemos bem a lição, de cor,
Não necessitamos d'ajuda de ninguém.
Há muitos anos, há tantos, que nós andamos
A correr na corda bamba, com tanta dor,
Que já sabemos bem o que é que nos convém.
Não queiramos, de nós próprios, ter vergonha,
Pois temos contas a prestar aos nossos filhos.
Estaremos perto do fim, se continuarmos
A sustentar todo o barrigudo que se oponha,
A deixar que nos livremos dos sarilhos
Em que a sua ambição queria afundar-nos.
Digamos todos NÃO ao voto inconsequente,
Por teimosa filiação a um partido
E repensemos muito bem a nossa opção.
A nossa prioridade, a mais urgente,
É a da nossa segurança no sentido,
De sentirmos todos orgulho na Nação.

Maria Letra
Imagem de Miguel Letra

22 de Julho de 2009

EM DIREÇÃO AO FUTURO

Procuro
na tua passividade
e na tua incompreensão
do meu viver,
um bom senso, inexistente,
e a boa interpretação
deste meu querer.
Procuro,
com a linearidade
da minha conduta
e a determinação absoluta
do meu esforço,
que tu me escutes
e, finalmente, lutes
contra a direcção
que a humanidade
segue, levianamente.
Busco,
na limitação
da tua mente,
e da tua alma,
que me cansa,
a ressonância
clara e calma
do meu poema,
e da sua importância.
Ainda acredito
na reconstrução
desta vida,
não na ambiguidade
de certas soluções,
nem na utopia
de certas promessas.
Sigo em frente
duvidando de tudo
e de todos.
Suporto a caminhada
em direcção ao Futuro,
querendo acreditar nele,
mas não espero nada.
Pertenço a este mundo,
imundo,
com o corpo vivendo
mas o coração sofrendo.

Maria Letra
Porto, 22-06-1988

SUSSURRANDO AO OUVIDO ...


Há mais pessoas mortas por comerem demais, do que por comerem de menos.
Não exagerem!
Se excederem na bebida, não conduzam!
Olhem pela vossa saúde como se fosse a do vosso filho.
FELIZ NATAL!
Maria Letra

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

UM PEDIDO AO PAI NATAL










Malandreco Pai Natal!
Todos os anos te peço
qualquer coisinha, barata,
e nada me dás. Porquê?
Teu desprezo faz-me mal!
Eu acho que não mereço,
tua forma, tão ingrata,
de quem finge que não vê.

Não me esqueças este ano.
Tu nunca lês meus pedidos.
Porque me tratas assim?
Também sou uma criança!
Também sou um ser humano!
Andam brinquedos perdidos
que podiam ser p’ra mim …

                                                     
 







                                                     





Anda lá, querido velhinho …
Dá um jeito este Natal.
Fico à espera duma prenda …,
duma boneca de trapos! 
Pode ser, meu amiguinho?
Nunca te fiz qualquer mal.
Deixas à porta da tenda,
que tem na frente, 6 catos.
Deixas lá, encostadinho,
um presente em cada um,
p’rós meus irmãos. São rapazes.










Nossos pais não querem nada.
São felizes, mesmo assim.
Mas … se tiveres, mais algum,
deixa p’ra eles! São capazes
de gostar…, p’rá consoada!
Anda lá, diz-me que SIM!


Maria Letra
12 de Dezembro de 2010
Imagens da net e de:
Stockvault.net - Free Stock Photos and Images


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

UMA MENSAGEM DE AMOR


Façamos do Amor o nosso maior Aliado, para que o fim da guerra seja uma realidade.

Feliz Natal para Todos

Que cada palavra nossa passe uma mensagem de Amor,  para que se torne uma jóia a recordar toda a vida.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

CONCEITOS DE RAPINA




CONCEITOS DE RAPINA

Estranho costume o daqueles
que fazem do “meu”, “seu”, também.
Sem respeito e sem pudor,
vão aumentando o que é “deles”,
da forma que lhes convém.
Para eles, sem excepções,
esta é a vida melhor
e, nesta luta de bens,
a ambição dos ladrões,
vai de mal a muito pior.

Há três tipos de rapina,
que o rapinador consome:
por cleptomania,
porque já nasceu sovina,
ou por estar cheio de fome.
Por doença, há que curá-la
com um método eficaz;
por ganância, há que vencê-la;
pela fome, há que matá-la,
porque senão..., não há Paz.

À mistura com rapina,
há mais formas de conduta,
que incomodam muita gente,
que se exalta e se amofina
fazendo-a partir p’rá luta
pois, nesta guerra, infernal,
há que pegar-lhe pela ponta,
começando pelo imbecil
que, indiferente à moral,
alimenta o “faz de conta”.

Com discursos de fachada,
sem nada a ver com o que sentem,
deixam muitos convencidos
que a razão, arquitectada,
está do lado dos que mentem.
Mas há outros, aos milhões,
que querem fazer um cerco
a esta corja de ladrões,
que cresce, dia após dia.
Daí, termos tanto esterco.

Maria Letra
08/08/2009