De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

DURO PERDÃO

Seguro o meu talismã.
A noite é longa.
Escrevendo,
Vejo surgir a manhã.
Nesta teimosa amargura,
Não recordo como és.
Vejo alguém que não conheço,
De expressão dura.
Em silêncio, destruído,
Aproximas-te de mim.
Desvio o meu pensamento,
De procurar-te, cansado.
Quero ver-te e não suporto
Enfrentar esse momento.
Sinto o meu corpo gelado.
Um novo dia começa,
Mas passa, muito veloz.
A noite vem, sem esperar.
Surges à porta. Com medo
E um desespero atroz,
Evito, em vão, teu olhar.
Misturam-se sentimentos,
Não entendo os meus tormentos.
Não quero ter compaixão.
Recordo-te, novamente,
Como eras. De repente,
O meu corpo de mulher,
Adormeceu.
Beijas-me e dás-me uma flor.
No teu espírito, faminto,
Busco o lugar que era meu.
Encontro-o. Faço esforços
Para esquecer o passado.
Não consigo dizer não.
Sei que tu sentes remorsos,
Por isso, tens meu perdão,
Mas meu corpo está cansado.

O teu silêncio me fala.
Sei o que sentes, amor.
A minha boca se cala.
Afogo no sono,  a dor.

Maria Letra
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