De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.


20120901

EXEMPLO DE UM TAUTOGRAMA



AÍ ONDE QUER QUE ESTEJAS


Amor, eu sei que me escutas
onde quer que agora estejas
em descanso.
Conhecerás minhas lutas,
mas eu quero que tu vejas
quanto canso
de remar contra a maré
neste mundo de loucura
e de guerra.
Somos um povo de fé
que vive sob tortura
nesta Terra.
Eu já não choro por ti,
porque estarás bem melhor,
por aí,
do que eu estou por aqui.
Choro pela indiferença
de quem perdeu o respeito
pela Vida
e é cruel, de tal jeito,
que a sentimos perdida.
Cada um que se defenda.
Não importa quem faz mal
a outro alguém.
O resultado, se entenda,
acaba por ser fatal.
Que crueldade tremenda!

Maria Letra
2012-09-01
Fotografia de Rui Videira


20120831

COMO UM RUBI...

Quando sentires
que tudo à tua volta
parece ruir…
Quando sentires
que a tua revolta
não te deixa reflectir…,
ou que quem tu amas
não pára de magoar-te…
Silencia a tua voz
e tenta confrontar-te,
sem ajuda, a sós
com os teus dramas,
e verás,
que aquilo que parecia
ser um muro
a desabar sobre ti…,
será capaz
de ser a luz que te vigia
no túnel escuro.
Como um rubi…

Maria Letra

31/08/2012

20120830

FÉ e ESPERANÇA


SEGUIREI SONHANDO


SEGUIREI SONHANDO

Neste espelho em que me vejo
retratada, fielmente,
vejo rugas em cortejo
marcando este meu Presente.
Não há margem para enganos:
o meu corpo está cansado,
por muitos e muitos danos
dum tormentoso Passado.
Abundante em muitos feitos,
minha  vida virou rica,
por tantos sonhos desfeitos
e muito que a dignifica.
Mas com orgulho e coragem
enfrento o Futuro bem,
fazendo sempre a filtragem
do que nele mais me convém.
Escolho bem as amizades,
para poder enfrentar
as muitas falsas  verdades
que nos estão sempre a injectar.
Depois... o que é que me impede
de viver sempre sonhando,
se o meu coração não cede
aos anos que vão passando?

Maria Letr@
P_2012J27

20120626

FILOSOFIA DAS ESTAÇÕES-de Nuno Azevedo (14 anos)

    É um mundo
    no qual
    nós vivemos em dor
    e em paixão

    o conforto nortenho
    invade a nossa pele
    e ficamos
    mais velhos

    morremos por dentro
    por aqueles que nos veem,
    morremos a sério
    por aqueles cuja cegueira é enorme

    depois renascemos
    com o sol
    a secar-nos as lágrimas
    de saudade

    aquilo mata-nos
    e olhamos para trás
    com a maior
    tristeza

    com aquilo destruído
    como um sonho sonhado
    que foi desfeito
    naquele dia de chuva

    em que criamos obras
    como este poema
    que ninguém
    vai ler

    a chuva abrigou-me
    nas tempestades
    de revolta sentida
    em luto…

    e quando estás
    quase a morrer
    tiras a tua
    ultima gota

    tão vermelha
    e linda
    nos meus olhos azuis e tristes
    quase cegos

    esse som é-me familiar
    há chuva
    e naqueles dias de lua;
    deceção

    é um grande deleite
    mas também
    é como comer silvas
    com a minha boca que sangra

    aquela viagem toda
    até ao mundo dos mortos,
    a dançar
    com os esqueletos

    e assim que chega
    àquelas florestas
    encontra os esquecidos
    e tristes

    entre os condenados
    e praticamente mortos
    há sempre uma vitória
    a razão…….

    uma historia
    sobre o que se passou
    o tolo
    falou!

    Vais-te perder
    nestas montanhas geladas
    e os lobos
    vão-te comer

    todos sofrem com isso
    mas também
    se enganam
    a eles próprios

    uma filosofia
    não descoberta
    e também
    esmagada

    mas também
    nos encontrará
    para sempre
    mais cedo ou mais tarde

    não tenho culpa
    de teres pedido desculpa
    tenho culpa
    de teres culpa

    ouviste as vozes dos outros
    e não a da tua cabeça
    e caíste
    na tua sombra

    mas depois chegas
    à parte mais doce e jovem
    que já não via há muito tempo
    mas já não te perdes

    encontraste-te
    com aquilo que é pior para ti
    e melhor para os outros
    e na água viveste

    será que sonhava
    com as estrelas
    porque tinha sono?
    não !!!!!

    descansado para sempre
    e assim massacrado
    e assim morto
    pela minha espada

    as vozes fluem-me na cabeça
    e nela habitam e criam
    uma atmosfera
    perigosa

    tão contagiante esta aura;
    tão confortável;
    tão compreensível
    e tão complicada também

    escolhe uma
    e eu faço-te
    compreender
    esta filosofia

    sem rima
    sem cor
    sem vida
    sem superficialidade


    Nuno Azevedo
    2012
    (Transcrevi este poema de um dos meus netos, não fazendo qualquer correcção.)


                                  

20120621

A MISTURA

A Esperança, muito optimista,
olha para o Cepticismo,
de mau grado... Certamente!
Recusa ser pessimista
e, no seu grande altruísmo,
e, teimosamente, crente,
não vê que, em realidade,
a crença só, não resulta.
Um plano mal calculado
e algo, sem piedade,
- por uma razão oculta -
deixa tudo bloqueado.



Portanto, amigos, à Esperança,
juntemos tanta Paciência,
dura Luta, muito Amor
e grande Perseverança.
O resto cabe à essência
dum nosso Deus, ou factor,
à nossa força aliar
outros bons ingredientes
do cosmos no qual giramos,
p’ra que possa resultar,
- sem penas inconvenientes -
aquilo em que acreditamos.

Maria Letra
2012-06-21