De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CAFE DE PARIS


Cafe de Paris.
Ponto de encontro
De tantos corpos.
Uns, cheios de vida,
Outros, quase mortos.
Nas cabeças,
Um mundo desconhecido
De ambições.
No peito ...
Mais dores do que corações.
A banda, repetitiva,
Sempre igual,
Parecia tudo,
Menos musical.
O interior do salão
É deprimente.
O aspecto, sórdido.
Nos olhares
Sente-se a esperança
E um desejo mórbido.
Em cada par
Um caso ...
Por vezes sério,
Mas, na maioria,
P'ra não recordar.
Contudo,
Neste salão deprimente
E de aspecto sórdido,
Onde quase tudo
É doentio,
É mórbido,

Encontrei-te a ti.
No teu doce peito
Senti um coração.
Na tua cabeça
Uma humana ambição:
Encontrares alguém
Que suavizasse
A vida que tens.

Dançámos.
Sem falsas ilusões,
Dia, após dia,
Um desejo crescia:
Estarmos juntos os dois.
O meu corpo
Ansiava aprender
A lição do Amor.
Ensinaste-ma tu.
Hoje, meu bem,
O meu coração
Sabe bem o que quer.
Aprendeu, contigo,
Como é bom ser Mulher.

Maria Letra
Sounthampton, Abril 1985

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

DURA LEX! SED LEX!

Dura Lex!
Sed Lex!
A primeira condenação
Imposta a qualquer cidadão.
Todavia,
Um mundo de interrogações
Paira no ar:
Quem de direito a inventou?
Quem de direito a aprova
Ou a faz aplicar?
Mas ela faz-se cumprir,
De modo fácil, ou não,
Sem lugar p'rá admitir
A mais leve compaixão.
Os parágrafos ... enfim ...
Dão "pano p'ra muita manga".
Por vezes a culpa anula,
Outras vezes acumula
Males maiores a cada caso.
Mas ... insisto eu:
Quem de verdade e direito
Está à altura de julgar
Cada lei?
Vejo pouco de perfeito
-Sem medo de exagerar -
Em muitos que a inventam,
Em muitos que a aprovam,
Ou a fazem aplicar.
Num mundo em cujos sistemas,
- Mais corruptos que sãos –
Fazem pesar grandes penas
Nos ombros dos cidadãos
A eles sujeitos ...
Vejo leis,
Contrárias à lei do Amor,
Males com muitas virtudes
E bens com muitos defeitos.
E, com pavor,
Assisto a tanta injustiça
Na lei imposta,
Submissa
Ao poder de cada estado,
Que já não sei se, lutar,
Traz benefícios de vulto
A um futuro que, oculto,
Me parece amordaçado.
Mas, p'ra esse mal,
Não sai lei.
É duma injustiça tremenda.
Cada um que se defenda!

Maria Letra
Londres, Abril de 1985
Imagem de:
http://www.abcdmaior.com.br/blog.php?cat=15&paged=5

terça-feira, 9 de novembro de 2010

CONTRATO DE AMOR


 CONTRATO DE AMOR
  
No teu sorriso bonito,
duma calma contagiante,
vejo um amor infinito
e uma gratidão constante
por tudo aquilo que fiz
p'ra transformar minha vida
num Presente mais feliz,
e numa paz mais sentida.

Dum modo bem diferente
de como foi, no Passado,
meu coração, docemente,
vai aceitando, moldado,
a tua dedicação
em dares uma nova forma
à minha contradição
de rejeitar toda a norma.

Duas regras principais
que tu me fazes seguir:
- Não dever pensar demais,
- Nem deixar de te sorrir.
Propuseste e aceitei
- p'ra aliviar minha dor -
olhares por mim. Eu gostei.
Em troca, deste-me amor.

Maria Letra
Londres
2008-10-05

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PARABÉNS, MILAI!

Uma flor muito exótica,
para uma amiga especial
que, nesta vida caótica,
onde tudo vai tão mal,
tem sabido, com coragem,
ultrapassar dissabores,
quer fazendo jardinagem,
acariciando flores,
ou pintando tantas telas...,
que já nem sabe onde pôr.


Também gosta de novelas.
Está na moda! Por favor …
Com o tempo que lhe resta,
depois dum dia de calma
e de dormir uma sesta,
vai cuidar da sua alma,
rezando por quem precisa
duma oração ..., muito sua.
O seu jeito simboliza
o Bem, nesta vida crua.

Maria Letra
05-11-2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

QUANDO, UM DIA , FÔR VELHINHA ...

Quando, um dia, fôr velhinha,
Eu quero ser muito doce,
Muito afável e meiguinha,
Amada, como se fosse,
A criança que enternece,
Que nos inspira sorrisos
E que a memória não esquece.
E podem crer, meus amigos,
Eu quero ler os meus contos
A todos os meus bisnetos,
Que vão ficar todos tontos,
Enquanto, muito quietos,
Ouvem todas as histórias
De fadas, reis e batalhas,
Derrotas, lutas, vitórias
E castelos com muralhas.
Vou acumulando contos
Para, em livros, publicar
E, quando estiverem prontos,
Já poderei descansar,
Ou, quem sabe, até morrer,
Porque deixo cá ficar,
Muita coisinha p’ra ler.
Maria Letra
01-11-2010