De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.


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20150422

DO CONSCIENTE AO SONHO


Mergulho na noite. Um breu medonho
deixa que eu, dormindo, me transporte
ao mistério deslumbrante do sonho...
Actuante, sem deixa e sem suporte,
saio da plataforma “Consciente”,
cheia de regras e ponderação,
para um teatro livre, assaz potente
de cenas virtuais e encenação.
Oh! Este momento, que não comando,
onde o cenário, vil enganador,
podia permitir-me que, sonhando,
sentisse Amor, não este Desamor.
  
2015-04-22



20140214

NA PLATAFORMA DUM SONHO


Às voltas, reviro voltas
buscando uma posição,
que me dê algum conforto
ao meu corpo, meio morto...
de tanto lutar, em vão.
Sinto um mal-estar profundo.
Triste, cansada, sem esperança…,
vivo numa plataforma
sem alicerces, sem forma.
Como cenário…, este mundo.
Sem perceber esta chuva,
que me atormenta, caindo…
sinto que estou num castelo
muito “vip”, nada belo,
onde muitos viram reis
circundados de rainhas.
Umas são como as formigas,
por muito amar, inimigas
de quem cria certas leis.
Outras, cigarras vaidosas,
vagabundas, impiedosas,
em busca não sei de quê…
Coitadas, fazem-me dó.
Estou entre elas. Muito só!
Desperta, busco o porquê
de tanta chuva a cair,
molhando tantos peões…
Não são milhares, são milhões...

Maria Letra
2014-02-10
Imagem de Miguel Letra

20110415

NUANCES NO MEU SENTIR


Me mexo e remexo,
me viro
e reviro
do avesso.
Me quero  encontrar,
no escuro
tão duro,
a chorar.
Me bates à porta.
Me vejo,
e revejo
Já morta.
Despertei dum sonho,
cansada
dum nada
medonho.
A noite, sem calma,
vazia
e tão fria,
 gelou minha alma.
Te peço em meus ais
que vás
se és capaz,
Mas não voltes mais.


Maria Letra
Abril de 2011

20091216

MENSAGEM

Uma gota caíu,
Suave, no meu braço.
Trazia consigo
A mensagem, serena,
Dum abraço.
Um abraço bem longo,
Meiguinho, profundo,
Que me fez vibrar
E adorar o mundo.
Senti-me viver,
Ser amada, amar ...
Co'a mesma grandeza
Com que se ama o mar.
Mergulhei nas ondas,
Tranquilas, dum sonho.
Vi felicidade
Num rosto risonho.
Eras tu, meu filho.
Corremos os dois
Felizes, contentes.
Dei largas à vida
Que tu tens e sentes.
Parámos. Que vimos?
Ovelhinhas brancas,
À volta das mães,
Sedentas de mimos.
Pegámos um filho
Pequenino, branco.
Era tão docinho ...
Que amor!...
Oh que encanto!...
Falaste ao pastor,
Fizeste perguntas.
-"Gostas das ovelhas?
- Quantas tens?
- São muitas!..."
Cheiraste uma flor,
Escutaste um hino.
De repente, um sino,
Falou-nos do tempo.
- "É pouco, não chega..."
(Ouvi num lamento...)
-"Meu filho, não chores,"
Voltarei de novo".
-"Está bem, não demores!..."
Eu sei o que sentes,
Eu sinto-o também.
Desejo esse dia,
Mas tarda, não vem.
Deste-me uma prenda
Que quase não via.
Pediste-me: "Esconde-a".
E desde esse dia,
Com grande paixão,
Guardo um diamante
No meu coração.

Maria Letra
Imagem da net