De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.


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20150503

UM ABRAÇO, MÃE!

UM ABRAÇO, MÃE!

Onde quer que estejas, Mãe,
este poema é p’ra ti,
como estando tu, aqui...
..., não nesse remoto Além.
Estou carregada de dor,
mas, também, de tanto Amor.
Sabes da minha Saudade,
e do quanto gostaria
ter-te connosco, este dia,
da tua Maternidade.
Mas não venceu a melhor
e foi a Morte, agressora,
que uma vez mais, vencedora,
levou Vida, deixou dor.
Porém..., não nos separou.
Eu sinto a tua presença
leve..., serena e muda.
Não me fala, me saúda
acenando. Que sentença,
maldita, te deu a Morte
quando, de nós, te levou.
Não sei como se passou.  
Não sei se rumaste a Norte,
onde creio o Além morar.
Só sei que ‘stou à deriva,
e sem outra alternativa
ao que uma Mãe pode dar.

Onde quer que possas estar...
Não deixarei de te amar!!!

Maria Letra
2015-05-03

MÃE-SER-OU-NÃO-SER


20140504

MÃE



Mãe, onde quer que estejas,
estarás, certamente, em Paz.
Eu não quero que sejas
minha Mãe só neste dia.
Que diferença é que faz
haver um dia das Mães,
se sempre te amei,
cada hora, cada minuto,
sem data especial?
Durante anos e anos
meu Amor foi sempre igual.
Encheste-me de alegria,
porque tu “eras” e serás
para sempre, Mãe querida,
aquela que me deu a Vida.
Mesmo quando silenciavas
uma palavra, um conselho,
o que quer que seja, enfim,
eu sabia que tu estavas
atenta, pensando em mim.
Amar-te-ei sempre, Mãe.
Como tu...
jamais haverá alguém!

Maria Letra
2014-05-04
Imagem da net

20130815

TEMPOS QUE O TEMPO TE DEU












Era há tantos, tantos anos
que vivias, por teu mérito,
cuidando sempre de ti,
que o Tempo te ofereceu tempos…
para esqueceres contratempos,
que tiveste na tua vida.
Resignada e sofrida
tiveste alguns desenganos…
Mas esse tempo que amamos
sabia tu teres, a crédito,
milhões de afectos aqui.
E viveste.., bem feliz,
a vida, como ela quis,
usando esses tempos todos
até ao último dia.
Minha Mãe, foste calmia
nos meus momentos de dor.
Deixaste em nós tanto Amor!

2013-08-15

20110427

ME IDENTIFICO EM TI

Me identifico em ti,

Oh Natureza linda!

até no que perdi.

Como tu - sabe-lo bem! -

                                               eu dei vidas à vida,

Fui Mulher, mas Mãe, também.

Como tu, eu amo o Sol,

e para o conquistar,

eu sou como girassol.

Como tu, eu arrefeço,

mas é no meu muito amar

que eu me aqueço.

Como tu eu me enamoro,

das estrelas, do luar,

do Universo que adoro.

Como tu amei e fui traída

mas continuo a sonhar,

mesmo que ferida.

Contigo me deito,

sufocando dores,

aqui, dentro do peito.

Contigo me desperto.

Contigo ganho força.

Contigo me liberto.







Maria Letra
27 de Abril de 2011
Fotografia de: Rui Videira

20091213

O VINTE E CINCO DE ABRIL E EU - Percurso de Vida


O período mais significativo na construção da minha estrutura psicológica de hoje, decorreu entre 25 de Abril de 1974 e o tempo actual. Antes desta data, nada do que fiz na minha vida tem, seja o que fôr, a ver com aquilo que eu teria feito se tivesse a consciência que tenho hoje. Contudo, devo salientar que as mudanças que se operaram em mim, não foram imediatas. 35 anos passaram, durante os quais fui acumulando conhecimentos e experiências que conduziram à consciencialização pessoal do que estava mal em mim, parcialmente em consequência de traumas de infância. A minha memória está cheia de recordações. Umas muito boas, outras boas, outras nem por isso e, ainda outras, realmente para tentar esquecer.

Depois do episódio que narrei aqui no blogue, com o título “A minha primeira desilusão”, muitas outras desilusões aconteceram, as quais me levaram a tomar atitudes nem sempre aconselháveis, mas eram as possíveis, naquela época. Pouco a pouco, comecei a sentir que a minha vida estava a tornar-se como que um novelo de fios emaranhados uns nos outros, tornando difícil a sua organização. Mas eu habituei-me a refazer novos novelos da melhor forma. Tornei-me perita em resolver situações, embora nem sempre com sucesso, repito, mas quando consigo vencer esses obstáculos, sinto uma sensação enorme de felicidade pela "missão cumprida". Que outra coisa melhor me habituei a fazer, além de desembaraçar-me dos fios que se entrelaçaram na minha vida? Talvez brincar com as crianças, olhar os lírios dos campos, admirar o sol que nos aquece e a água que nos refresca...

QUERO CONTINUAR CRIANÇA

Nasci. Fiz Sorrisos
Em rostos que não sorriam,
Em bocas que não se abriam.
Fui menina.

Cresci. Vi sofrimento
Em quadrados sem luz,
Onde a vida era uma cruz.
Fui criança.

Sofri. Com outras raparigas,
Companheiras maltratadas,
Nunca ouvidas, nunca amadas,
Fui jovem.
                                             
Amei. Braços caídos,
Num corpo vivo, sofri.
Dei amor, não recebi.
Fui adulta.

Lutei. Cheia de amor,
Pelos filhos que quis ter ...
Meu Santo Deus! Que prazer!
Fui mãe.

Desajustada,
Neste mundo que rejeito,
Sentindo um peso no peito,
Fui mulher.

Desiludida,
Nesta mal cuidada vida,
Resta-me, ainda, a 'sperança
De permanecer mulher,
De continuar criança.

Maria Letra
Imagem da autoria de Miguel Letra