De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

Outros blogues:
http://www.worldartfriends.com/pt/users/maria-letra
http://www.recantodasletras.com.br/escrivaninha/

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

VENTOS FORTES DE MUDANÇA


Vento que bate, insistente,
em frágeis corpos sem norte.
Leva tudo à sua frente,
na sua fúria de morte.
Ninguém sabe o que fazer.
Desistir, não são capazes.
Acreditam que vencer
é o prémio dos audazes.
Os que preferem ponderar,
estudam o mal na raiz,
buscando como travar
os ventos do seu país.

Ventos loucos, sem control,
que sopram todos os anos,
anos escuros, sem sol,
que causam penas e danos.
Uns esperando a calmia,
vão recolhendo a folhagem;
outros, mais em sintonia,
lutam juntos com coragem.
Procuram travar a dor.
Têm esperança no bom senso
e na força do amor,
cujo poder é imenso.

Fartos dum presente duro,
fogem de ventos e lôdos.
Têm esperança no futuro.
Todos por um, um por todos!
E, nesse esperar sem fim,
sentindo a força do vento
que sopra, dentro de mim,
fui-me esquecendo do tempo,
esse factor meu rival,
que sei ser muito importante
nesta luta desigual
contra um mau tempo constante.

Maria Letra
2009-07-01

2 comentários:

Adelaide disse...

Querida Mizita,

Como consegues "poemar" desta maneira. Como consegues apanhar as palavras que fojem com os ventos e que te fazem falta no teu poema. Como sabes escolher as que melhor se adaptam à ideia que formulaste para construires mais um belo poema teu!
Mizita, eu acho que perdi a vontade de dominar as palavras, de as escolher para dar a beleza ao poema que quereria fazer e não consigo.
O que passa comigo? Haverá alguma plantinha natural que me encha de inspiração?

Beijinhos
Milai

Maria Letra disse...

Há, Mara. Há em todos nós. Vai à tua natural essência e, sem artifícios, escreve. Um poema nasce com muitas formas e a mais bela é aquele que faz com que o poema nos toque fundo. Para quê florear?
Mas e3u não serei a pessoa mais indicada para dar-te conselhos sôbre poesia pois sou uma simples amante desta forma de comunicar e não me preocupo muito com a métrica porque nem sempre tem resultado comigo. Prefiro escrever livremente. Agradeço muito os teus comentários, mais válidos como amiga do que como comentadora, pois não te vejo capaz de dizer-me: "vai pregar a outra freguesia que isto aqui não me convence". Precisava desse tipo de comentário, se fôr caso disso.
És sensível demais para teres essa coragem.