De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.


20110125

DECLÍNIO

Preciso de escrever,
Deixar que a minha mão
Ajude a minha mente,
Serenamente,
A dizer o que sente.
O meu coração, fiel,
Bate no meu peito,
Docemente.

Vivo cada instante,
Ouvindo apenas
O eco dos meus - Porquê?
Sou um alguém que caminha
Como se fosse um boneco,
Um robot,
Um qualquer coisa,
Que já perdeu sua vez.

Inspiração? Tenho, ainda!
Coragem? Sim, talvez,
De várias formas.
Quero continuar escrevendo,
Sem respeitar quaisquer normas.
A métrica não me diz nada,
O meu eu, no seu silêncio,
Cansado de obedecer,
Quer apenas uma coisa:
Continuar a viver. 

Maria Letra
Torino, Dezembro de 1998

20110122

AMO VIVER

Semente posta,
Naquela encosta,
Deu fruto fértil
Em árvore
De tronco débil.
O vento forte
Bateu à sorte.
Caíu-lhe a flor.
Eu, não caí.
Assim, cresci.
Hoje nem um tufão
Apagaria este vulcão
Que existe em mim.
Amo viver.
Eu sou assim...


 Maria Letra
Porto, Março de 1989

20110116

NON-STOP LIFE


A vida passa, em corrida,
em dura luta constante,
entre o homem bon-vivant,
o culto e o ignorante.
A vida corre, em stress,
qual vendaval que destrói,
levando tudo pela frente,
nos cansa, maça, corrói.

A vida corre, ofegante,
entre os que amam, traindo,
os que governam, roubando
e os que ajudam, sorrindo.
Mas neste jogo de vidas,
onde tantos estão morrendo,
bem haja quem faz o bem
àqueles que estão sofrendo.

Entre essa gente agitada,
procuro, serenamente,
encontrar a minha estrada,
perdida algures, estranhamente.
E, nesta busca, constante,
vejo o meu tempo passar,
enquanto doces sorrisos,
 me ensinam que é bom amar.

Não deixes que o tempo corra.
Não deixes mais que te canse.
Faz com que o sol nos aqueça,
deixa que a maré amanse.
E na calma do luar,
duma noite, 'inda menina,
faz um hino à Natureza
e à sua força Divina.

Maria Letra
18 de Outubro de 1984

20110113

CASAMENTO




Casamento ...
Príncipio fatal
de fidelidade à lei.
Compromissso social
e burocrático,
aristocrático ou não,
(não sei ... ),
duma "ela"
um "ele" servir,
respeitando-o até à morte
e ao que daí advir ...
É tudo uma questão de sorte ...,
mas, traduz,
uma situação que vai muito mal.
Conduz
ao "status" casado,
ou, sem aparente distinção,
casada.
Acto já menos usado,
mas cuja alteração,
continua estagnada.
Isto porque
confiança um no outro,
não existe talvez.
E ... com o coração
cheio de esperança
e querer,
liberdade ... era uma vez.
Duas assinaturas,
feitas num livro especial
e as intenções mais puras
(ou não, não faz mal),
registam o compromisso,
perante quem de direito,
de pagar,
com efeito,
(para além de tudo mais ...),
uma fortuna sem fim,
em caso de separação,
a qual um lado diz "sim"
e o outro lado diz "não".
Uma comum realidade
que pode acontecer aos dois:
a infedilidade.
sobretudo a do homem,
pois ...,
já minha Mãe me dizia,
com sofrimento,
pesar
e declarada ironia
(que eu sentia disfarçar):
-"O marido,
por ser macho,
pode ter sete mulheres,
enquanto a esposa,
fiel,
desempenha o seu papel"...

                             Não importa o que tu sintas,
                             o que importa é que consintas!



Maria Letra
Londres, 28-03-1985

20110111

DIREITO COMUM












Dispersam-se muitas ações
Entre as diversas nações.
Insultos, entre políticos,
Dão temas a muitos críticos
Que acabamos, sem saber,
Se devemos, ou não, ler.
Investe-se, loucamente,
Sem resultado aparente.
Portugal, por tanto débito,
Já não tem direito a crédito.
Mas muito Sr. Doutor,
Continua, sem pudor,
No faz de conta que faz,
Roubando, sem dar-nos paz.
E enquanto tudo isto
A que, revoltada, assisto ...

Tanta gentinha não come
E, vencida pela fome,
Acaba por sucumbir,
Sem poder fazer-se ouvir.
E nesta vida, confusa,
Há gente que se recusa
A abrir os olhos, por crer,
Que nada pode fazer.
Com mesas bem enfeitadas,
Barrigas "abarrotadas"
E um coração que não sente,
São chamadas "boa gente".

Tão cómoda posição,
Em tremenda situação,
Não é mais do que corrupta.
De certeza absoluta!
Outro cenário bem triste:
A bomba atómica existe
E, com tanto louco à solta,
Cheio de ira e revolta,
Temo muito pelo futuro,
Que antevejo muito duro.
Sabemos qual a resposta
A dar, a quem disto gosta.
E a culpa, sem excepção,
É daqueles cuja ambição,
Em excesso, quanto a mim,
Os cega tanto que, assim,
Esquecem direitos comuns
A todos, não só a alguns:
Respeitar, querer, saber
Amar a vida, VIVER!


Maria Letra
Londres, 28-03-1985

20110110

UM POEMA À MINHA 7.ª NETA

Avança p'ró futuro, sem olhares
O que, atrás de ti, irás deixar.
Na tua frente encontrarás a vida,
Para trás, uma história p'ra contares.
Tenta aprender como é que irás curar
A tua alma, sempre que ferida.

Não te envergonhes dos erros que fizeres.
Farão parte daquilo que serás.
Sê tolerante e amiga. Sê leal. 
O teu valor estará no que aprenderes
Em cada estrada, onde puseres os pés,
Sem perceberes o mal que te farás.
Peço ao meu Deus que guie as tuas estradas.
Fazes parte do livro que hoje leio
Com a mente serena, sem rancor.
Eu espero bem, nas tuas caminhadas,
Tu respondas àquilo por que anseio:
Fazeres tudo na vida, por AMOR.

Maria Letra
Porto, Nov.º 2004


20110105

HIPOCRISIA..., NÃO!




Venham Leandros/Bernardos
de qualquer cor, não importa.
Laranjas, verdes ou pardos,
entrarão pela mesma porta,
com algumas condições:
venham em democracia,
não sejam camaleões,
nem usem de hipocrisia.
Que não venha nenhum lobo,
disfarçado de carneiro,
que nos diga ser pelo povo,
mas não passe dum fiteiro.
Sou a favor dos montões
de seres com fome, oprimidos,
que se contam aos milhões
neste mundo de fingidos
onde poucos são sinceros,
e muitos, os aldrabões,
escrevem grandes exageros
e provocam confusões.
Defendo a boa cultura
e toda a arte em geral.
Eu propago o que perdura
deste nosso Portugal.
Defendo toda a ciência,
ao serviço do progresso,
mas já não tenho paciência
para o que vem por excesso.
Portanto, amigo leitor
que me lê com isenção,
faça-me um grande favor,
comente com correcção.

Maria Letra
25/07/2009

20110102

O PAI NATAL - UM ANO DEPOIS ....

A 04 de Janeiro de 2010, criei o poema que transcrevo abaixo. Este ano, procurei ver se o Pai Natal teria melhorado o seu estado de saúde e encontrei-o muito pior, envelhecido, decrépito. Pergunto-me o que irá acontecer-lhe durante este 2011 que chegou com uma agenda carregada de compromissos a cumprir, de facturas a pagar, e reclamações a solucionar. Enfim: Um rol de tristezas sem aparente forma de dar-lhe uma volta. Um autêntico "Muro de Lamentações!"

Dizia o meu poema:

Este ano, aquele Pai Natal, famoso por ser gordinho,
Corado, bonacheirão e muito rechonchudinho,
Entrou pela chaminé, num estado de fazer dó.
De barringuinha encolhida, não conseguiu descer só
E eu, que não acredito, em Pais Natal, vi, então,
Que se impunha, ir ajudá-lo, senão caía no chão.
Trazia dentro do saco, promessas, muitas promessas.
Estava muito cabisbaixo. Sabia que nas cabeças
De meio mundo, a sofrer, por tanta leviandade,
A que ele estava a assistir, na sua já longa idade,
Havia gente que ainda, esperava, apesar de tudo,
Que ele trouxesse no seu saco, algum presente graúdo.
Perguntei-lhe. Porque sofres e estás tão magrito assim?
Respondeu-me: Porque tenho o meu reinado no fim.
Dantes, todos me esperavam o ano inteiro, pacientes,
Agora, que eu já estou pobre e tenho poucos presentes,
Ninguém quer saber de mim e já dizem que o Natal
Não tem Pai, nem nunca teve. Estou lixadinho, estou mal!
Eu não tive alternativa. Puxei o peito p'ra fora,
Dei-lhe o braço, ternamente e fomos dali embora
Conscientes, muito calmos, procurar um novo mundo,
Sem esta vil confusão e preconceitos de fundo,
Onde a Paz seja perfeita e este doce Pai Natal,
Viva só para a criança, rara Jóia Universal!

Maria Letra
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