De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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quinta-feira, 26 de junho de 2014

FORÇA JOVENS PORTUGUESES!

TERMINA UM ANO LECTIVO E BREVEMENTE TERÁ INÍCIO UM OUTRO



Penso nos meus netos e em tantas crianças e jovens que, durante aproximadamente 10 meses, subirão, ou não, degraus duma escada que os conduzirá, ou não, a uma formatura.
Vou contar um pouquinho da minha vida, num dos momentos em que meu Pai deveria decidir qual a melhor alternativa do curso que eu deveria tirar. Tinha eu, na altura, apenas 11 anos. De notar que, nesse tempo, só se iniciava o ensino primário com 7 anos completados antes de 7 de Outubro e, por isso mesmo, entrei no 1.º ano já com 7 anos feitos em Setembro. Era, portanto, uma pirralha sem direito a voto nas decisões familiares.
Quando meu Pai deixou Coimbra e partiu para o Porto com a família, para ocupar o lugar de gerente numa firma onde acabou por trabalhar durante 20 anos, eu tinha já feito o 4.º ano de instrução primária, bem como o exame de admissão ao liceu, exigido naquele tempo; frequentava, então, num bom colégio em Coimbra, o 1.º ano do ex-ciclo preparatório. Iria deixar esse mesmo colégio, com o 1.º ano já iniciado e o meu Pai ainda não sabia o que o futuro lhe reservava. Tratava-se, consequentemente, dum período de mudança e havia que decidir considerando duas alternativas: ou era matriculada para tirar o curso liceal ou para tirar o curso comercial. Foi decidido, contrariamente à minha vontade, que eu fosse matriculada num curso comercial o qual, na opinião de meu Pai, dar-me-ia uma maior preparação para o futuro, caso as coisas não corressem bem na vida dele e eu tivesse, mais tarde, de trabalhar. Assim sendo, meus Pais matricularam-me na Escola Comercial Filipa de Vilhena, no Porto, afim de começar com os pés bem assentes na Terra, pois um bom colégio... seria caro, dadas as incertezas existentes. Cada um tem de enfrentar o que lhe vai surgindo na vida, ponderando opções e escolhendo o que parece mais acetado, para não tropeçar e cair.
Mas eu não tinha nada a ver com o comércio. Tinha mais a ver com línguas, arte, enfim, tudo o que, naquela idade, me desse maior prazer fazer. Mas meu Pai tinha razão e, portanto, preparei-me psicologicamente e lá iniciei o curso comercial, terminando-o parcialmente, com más notas nas matérias ligadas ao comércio. Eu, que até ao final do ciclo preparatório, tinha sido uma aluna de mérito naquilo para que me sentia vocacionada, incluindo Matemática..., na escala de 0 a 20, consegui 10 valores a Cálculo Comercial, e igual classificação a Noções de Comércio, Direito e Economia Política, cada uma destas áreas distribuída pelos 3 anos do curso...; contudo, tive um 16 a Técnica de Vendas (fruto do meu gosto pela comunicação). Tendo obtido um 4 a Contabilidade, acabei por fazer o exame desta disciplina, como aluna externa e sem explicador, e consegui um bom 16. Um mau professor pode gerar um mau aluno..., como foi o caso das disciplinas de Contabilidade e de Inglês.
Dado que queria seguir os estudos e o curso comercial não serviria para o que queria, pedi equivalência das matérias que tinha completado e fiz exame, como aluna externa, das disciplinas de Português (que estava "dependurado" no curso comercial incompleto) e de Inglês (em igual situação), tendo-me preparado em 3 meses. Tirei um 16 a Português, na prova oral, por ter errado na prova escrita, porque "desenrolei" um manancial de conhecimentos sobre o "Auto da Alma" de Gil Vicente, quando deveria ter falado do "Auto da Barca", do mesmo autor (ou vice-versa). Isso valeu-me uma oportuna reprimenda do professor que estava a fazer-me a prova oral, no Liceu de Matosinhos, em frente de todas as pessoas, se bem que acompanhada dum bonito elogio que não vou aqui mencionar. Porém, como a prova escrita ficou pela tangente..., só pôde dar-me um 16. Estava tão convencida do sucesso da minha prova escrita que até pedi, quando soube o resultado da mesma, a revisão de provas. Esta..., sou eu! A mulher mais distraída à face do Terra. A Inglês dispensei da prova oral com um lindo 18. Toda este rol de informações, por 3 motivos:
1 - Portugal precisa de profissionais cuja competência provém da sua vocação e não de estudos "à martelada".
2 - Os Pais deverão respeitar as tendências que os filhos vão revelando, NUNCA impondo, ou mesmo entusiasmando-os a seguir uma carreira para a qual não se sentem vocacionados. Deverão aconselhar apenas, nunca impor ou entusiasmar. Daí nascerão COMPETENTES E DEDICADOS PROFISSIONAIS.
3 - É importantíssima, para uma boa formação do aluno, a competência do professor, a todos os níveis, pois é ele quem será o responsável pela forma como soube, ou não, transmitir-lhe a importância daquilo que lhe ensinou, sendo exigido a este, obviamente, o cumprimento dos seus deveres.

Maria Letra
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