De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

NA MIRA DE CAMAFEUS



Minha mente não está calma…
Sinto um enorme vazio
no seu espaço, que é só meu,
onde quem manda…, sou eu!
Quero inventar a maneira
de abolir a hipocrisia.
Já virou epidemia.
Não quero enganar ninguém…
Sei o que sinto bem fundo...
Confundem-me as multidões
com grandes aspirações
e um ego assaz cinzento.
Eles, não dão nada em troca
dum sorriso. São gente oca.
Materialismo nojento,
em tanta gente comum.
Entre muitos outros males
condenáveis…, é mais um.
São aos milhões, perigosos,
gente sem qualquer valor,
com intuitos asquerosos,
e tanta falta de Amor.
Não conseguem disfarçar.
Em actos de caridade,
recheados de vaidade,
enchem o seu peito de ar…
e agradecem a Deus.
Mas que grandes camafeus!

Maria Letra
2014-02-10
Fotografia de Miguel Letra

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

NA PLATAFORMA DUM SONHO


Às voltas, reviro voltas
buscando uma posição,
que me dê algum conforto
ao meu corpo, meio morto...
de tanto lutar, em vão.
Sinto um mal-estar profundo.
Triste, cansada, sem esperança…,
vivo numa plataforma
sem alicerces, sem forma.
Como cenário…, este mundo.
Sem perceber esta chuva,
que me atormenta, caindo…
sinto que estou num castelo
muito “vip”, nada belo,
onde muitos viram reis
circundados de rainhas.
Umas são como as formigas,
por muito amar, inimigas
de quem cria certas leis.
Outras, cigarras vaidosas,
vagabundas, impiedosas,
em busca não sei de quê…
Coitadas, fazem-me dó.
Estou entre elas. Muito só!
Desperta, busco o porquê
de tanta chuva a cair,
molhando tantos peões…
Não são milhares, são milhões...

Maria Letra
2014-02-10
Imagem de Miguel Letra