De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

TEUS CASTELOS



TEUS CASTELOS

Esculpi imagens sonhando
sentir amor, ser paixão.
Contudo, o tempo passando,
deixou rastos de traição.

Saturei-me de esperar-me.
Não consegui dar-me a ti.
Sabia que um dia, ao dar-me,
não me daria… e parti.

Rasguei laços, cortei elos.
Queria um futuro sozinha,
sem sonhos, nem ilusões.

Deixei ruir mil castelos
onde me querias rainha.
Matei tuas ambições.

Maria Letra

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

DETESTO TER RAZÃO QUANDO NÃO ESTOU DE ACORDO COM CERTAS TEORIAS


Convido, quem ainda não conhece a notícia, a ler aqui, mais um escândalo de grande envergadura e que nos leva a questionar como será possível que sejamos tão ingénuos que não nos apercebamos que estão constantemente a enfiarem-nos no cérebro teorias inventadas, muitas vezes através duma arte manhosa, a que chamamos "artimanhas para engordar o património financeiro de "bestas que não têm nem pudor, nem amor ao próximo".

Este artigo, que acabo de conhecer, refere-se a um assunto muito delicado..., i.e., à educação dos nossos pequeninos, artigo este que - quem sabe o que tenho dito sobre este assunto - veio de encontro às dúvidas que sempre tive neste campo. 

A educação da criança exige tanto de nós! Muito sacrifício e muita entrega mas, sobretudo, muita atenção. Quando o mau comportamento duma criança ultrapassa, de longe, a nossa capacidade de control do mesmo, deveremos reflectir, em primeiro lugar, sobre eventuais razões para que tal aconteça e perguntarmo-nos se a educação que estamos a dar-lhe será a correcta. É necessária, da parte dos pais, muita firmeza, paralelamente a tanto amor..., quando educam os seus filhos. O Amor e a Firmeza devem interligar-se constantemente, na educação a dar à criança, acabando esta por compreender o significado das duas, aceitando-as.

Nem tudo o que nos parece ser, é-o, realmente, e muitas vezes vêm com teorias que me assustam por chegarem mesmo, não só a agravar o problema da criança, por tratamentos inadequados, como também a 'desviar' uma correcta posição dos pais, comprometendo a sua adequada actuação, no momento próprio. E depois, na grande maioria dos casos, são os pais os directíssimos responsáveis pelos maus comportamentos dos filhos, que tantos dizem, ou diziam, serem esses comportamentos devidos a um "distúrbio" a que chamam, ou chamavam..., TDAH (ou ADHD)..., quiçá para desculpabilizarem-se...

A nossa culpa não estará, eventualmente,
1.   no quanto estaremos a exagerar ao satisfazermos todos os caprichos das nossas crianças,    oferecendo-lhes os mais sofisticados meios de diversão, tais como jogos para computador, playstation, Wii, Nintendo, etc. e tal?
2.  no quanto as prejudicamos quando não damos a devida importância à correcta organização dos seus tempos livres?
3.  no quanto estaremos a prejudicar o seu equilíbrio emocional, pelo excessivo tempo que perdem em jogos de competição os quais, na sua maioria, incitam à violência?
4.   no quanto as prejudicamos deixando que usem o seu computador (tantas vezes para verem ou jogarem o que não devem, por ausência de vigilância) ou que alimentem a sua vontade de serem sempre vencedores em jogos de competição tão agressivos, quanto impróprios,  em vez de as acompanharmos em salutares brincadeiras ao ar livre?
5.  no facto de muitos educadores permitirem que os seus filhos comam as suas refeições em frente do computador, ou a jogarem os referidos jogos, o que - como é natural - prejudica-os altamente?
etc., etc...

Gostaria de saber se os herdeiros de Leon Eisenberg, psiquiatra e educador infantil que inventou o TDAH, (ou ADHD),  Transtorno de Deficit de Atenção com Hiperactividade, serão dignos merecedores da fortuna que, eventualmente, ter-lhes-á deixado, herança essa que ele teria "engordado" ao longo dos anos em que a sua teoria não passou duma "invenção" com esse fim: enriquecer à custa dessa mesma falsa teoria (e quem sabe de outras do mesmo calibre), que levou inocentes pais a acreditarem nele. Essa fortuna não seria suficiente, SEM DÚVIDA NENHUMA, para compensar, moralmente, aqueles que ele prejudicou psicológica e fisicamente.

São homens como Leon Eisenberg e uma fila enormíssima de outros - que não caberia aqui referir - que levam tantas pessoas a acreditarem neles sem reflectirem, primeiro, sobre a veracidade das suas teorias, por desconhecimento óbvio.

Para quê mais palavras? A minha família saberá bem que sempre me opus à teoria dele, quando conversávamos sobre determinados comportamentos de crianças... Amo-as demasiado, para confiar cegamente em algumas das afirmações tão peremptórias quanto maléficas...

Deixo duas simples perguntas no ar:
a)  Será que todos os jovens que programam virem a ser pais, alguma vez se perguntam se estarão dispostos a sacrificar o seu tempo, dando à criança a atenção que lhes será exigida por dever? Não menosprezem este ponto importantíssimo...
b)    Será que estarão preparados para proporcionarem aos seus filhos ar livre, em vez de, por comodismo ou franca falta de tempo, preferirem manter-se em casa, alimentando neles o hábito, que passará a vício como qualquer droga, de fazer aquilo que, mais tarde ou mais cedo, acabarão por exigir se lhes forem recusadas..., gritando e massacrando, até que essas mesmas vontades sejam satisfeitas?
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De que servirá a alguns pais irem ao gabinete dum psicólogo para receberem conselhos, se eles mesmos desconhecerem o que são regras nas suas próprias casas?


Maria Letra




segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

UM GALINHEIRO DE AVES ESCOLHIDAS A DEDO PARA PRODUZIR AUDIÊNCIAS





Os meus amigos de longa data saberão que sou defensora da transparência, qualidade que valorizo muito no ser humano, razão pela qual procuro usá-la eu própria, quando escrevo sobre o que penso, o que sinto, ou o que sou. Pensei várias vezes se deveria ou não sê-lo hoje ao confessar-lhes que, pela primeira vez na minha vida - talvez porque tive um período relativamente longo em que estive de cama - aguentei ver, na íntegra, um programa de televisão chamado “Casa de Segredos 4”, que tanta gente conhece. Como mandei instalar uma box da MEO, na minha casa, em Londres, comecei a querer ver tudo o que era transmitido pelos canais Portugueses e fui acabar no canal 13. Não se mostrem surpreendidos e/ou consternados… Foi preciso muita coragem, eu sei, para aguentar uma série de borboletas no estômago, palpitações e revolta, por constatar, com muita consternação, que me parece quase impossível que consigamos modificar, imediata e eficazmente, os ignóbeis meios de instigação e apoio à falta de respeito pelo próximo e até à delinquência, que se verificam não só na televisão, através de certos programas, mas também em variadíssimos outros campos.

Quando comecei a ver tal programa recordo que o que despertou o meu interesse foi a forma como a mãe dum tal Tierry “chafurdou”, na 1.ª gala, num lavar de roupa suja sobre Sofia, mãe da sua neta de 6 meses, em perfeito contraste com todo o bem que a jovem em causa dizia dessa senhora, dentro da Casa dos Segredos. Isso despertou o meu interesse em analisar o comportamento dela, para tentar compreender o porquê das afirmações que fez. Excluo qualquer outro concorrente além dela e de Diogo, porque todos os outros não me mereceram qualquer atenção. A promiscuidade de comportamentos e de educação foi enorme, incluindo mesmo essa garota histérica e convencida que diziam ser a de maior valor dentro da casa, mas que sempre achei esconder atrás da sua capa de “nobreza”, uma série de fobias e de “convencimentos” capazes de arrepiar a minha sensibilidade, já para não referir os seus gritinhos e tiques de menina cheia de caprichos. “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”. Amiga que é de Debora, não pode, talvez, ser assim tão “boa menina”. Este cenário de diferentes aberrações contrastantes, ia provocando em mim uma revolta quase insuportável, mas aguentei firme a toda uma série de termos impróprios e atitudes duma indignidade absolutamente intoleráveis e ultrajantes, características estas constantes em quase todos os concorrentes.

O que, sem dúvida, atraiu a minha atenção, repito, foi Sofia. Ela reunia contrastes de comportamento que despertavam a minha curiosidade, dia após dia, tentando ir compreendendo uma série de porquês que, desde o início, me intrigavam. Eu sabia que esta jovem era alvo de críticas implacáveis e eu queria conhecer bem porquê.  Acabei por inseri-la num espaço aberto dum puzzle do qual todos os outros deveriam fazer parte, mas que não procurei arrumar. Daí ser-me difícil encaixá-la naquele espaço. Ela foi, realmente, diferente. Mas eu repudiei, do princípio ao fim, todas as outras peças. Eu só precisava delas para perceber melhor a Sofia. Eram peças demasiado fáceis de perceber, pela suja linguagem e atitudes. Uma demonstração triste, mas fiel, de comportamentos sobejamente à margem de qualquer comentário, infelizmente muito comuns. Confesso que “vi-me à nora”, porque colocar uma peça isolada, num puzzle vazio, não foi fácil, mas deixei-a no lugar que me pareceu mais próprio, com grande pena minha, porque fiquei sem respostas a perguntas num final de “jogo”, cujos resultados me levantaram muitas dúvidas.

Por que motivo esta jovem,  independentemente de todos os defeitos e virtudes que temos de reconhecer-lhe e liderando todas as semanas o topo de preferências, com uma elevada vantagem sobre o 2.º lugar, acaba por ser destronada por um rapaz vítima de alguns pares de bofetadas e humilhações, mas cujo comportamento, para revolta de tantas pessoas, representa um ultraje à “dignidade” da mulher, ao denunciar o que fez, na intimidade, com a jovem que lhe deu acesso directo à final? Sofia conseguiu, passo a passo, eliminar todos aqueles que não faziam parte do seu grupo preferencial. Terminado o programa e não obstante o seu inesperado 2.º lugar, na final, entre quaisquer outros ex-concorrentes das 4 Casas dos Segredos, ela continua em 1.º lugar nas preferências de quem vive este jogo. Muitos a condenam, mas muitos mais a admiram. Recordo-me que a 1 minuto da final, ela batia de longe o concorrente que venceu, nas percentagens. O que teria acontecido? Não saberei responder, mas sei que a sua página oficial, depois da sua derrota, passou de 40.800 “gostos”, mais ou menos, a perto de 80.000, neste momento. Nenhum outro concorrente, pelo que foi-me dado observar, terá tantos fãs. Contudo, ela não venceu.

Amigos, analisei tudo isto contrariada pela minha incapacidade de levar a minha curiosidade sobre Sofia a uma conclusão definitiva, mas ela conquistou o meu coração, sem dúvida. Admirei a sua capacidade de jogar de forma ‘limpa’ e inteligente. Quanto ao seu par, o Diogo, não preciso de comentar. Quem viu o programa estou certa o terá já excluído do puzzle por não conseguir compreender um comportamento que prefiro ignorar por comum, infelizmente. O programa conseguiu atrair a minha atenção na tentativa de desvendar o fenómeno Sofia e nada mais. Ao longo de 3meses, eles atraíram a si uma avalanche de admiradores de cenas em que a paixão serviu de alimento às suas próprias carências (digo eu….). Serão pessoas que, no fundo, conhecem onde esse sentimento pode, ou poderia, levá-las. Mas este casal acabou, dois dias depois de terem dado vida a uma história “apaixonante”, em duas posições extremamente opostas: Sofia sendo mais amada do que odiada e Diogo sendo mais odiado do que amado.

Não seria capaz de responder a quem possa desejar perguntar-me por que motivo escrevi um texto sobre um tal programa. A resposta teria de ser extraída dum outro puzzle que também nunca consegui completar: o dos meus próprios comportamentos.

Maria Letra