De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

Outros blogues:
http://www.worldartfriends.com/pt/users/maria-letra
http://www.recantodasletras.com.br/escrivaninha/

terça-feira, 26 de julho de 2011

MARCO DE VIDA

Fui fonte de amor,
procriando, amando,
seres de mil afetos.
Sou quadro, sem cor,
painel abusado,
de traços inquietos .

Sou vela, sou  chama,
sou sal que crepita,
num fogo que adora.
Sou um ser que clama
a injustiça infinita
que a lei ignora.

Sou vida espremida,
marcada, ferida,
num mar de ilusões.
Sou dor escondida,
sorrindo p’rá Vida,
com mil ambições.

O “sou” é meu espelho
onde a Primavera
não está mais, em nada!
O ‘fui’ me aconselha,
não ser mais quem era,
não ser mal tratada.

Não mais subjugas
Meu corpo por gosto.
Sou ave ferida.
Farei destas rugas
estampadas no rosto,
um Marco de Vida.

Maria Letra
Abril de 1985

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A VOCÊS, MEUS BONS AMIGOS!














Desculpem-me por favor,
Isto que vos digo aqui,
Assim, sem qualquer engano.

Dedico a todos Amor,
Os dias todos do ano.

Assim, eu peço desculpa
Muito cá do coração.
 Iguais são todos os dias,
Gostando de vós! Então …
Ontem se foi … Hoje não!

Aproveitando, assim, o dia de hoje, ainda a decorrer, peço desculpa pela minha ignorância, até porque atravesso um momento em que estou a dar prioridade à maior amiga que tenho no mundo:  Minha Mãe querida! Essa acredita mesmo que os meus amigos podem contar comigo TODOS OS DIAS.

Maria Letra  
          

domingo, 10 de julho de 2011

ESTAS BOTAS NÃO NOS SERVEM!


Alto! Não estamos em tempos
de cantar grandes vitórias,
nem de apregoar glórias.
Há que estarmos bem atentos ...
O País está de gatas,
porque está pobre de muito!
Caíu, débil, num circuito
com regras nada sensatas.

De muito, o País está pobre,
mas jamais pobre de tudo.
Somos ricos, sobretudo
de gente bastante nobre,
com coragem a valer,
pronta a lutar pela paz
duma maneira capaz.!
Nunca vergar ..., nem torcer!

Portugal caíu num caos,
por causa de certos trutas.
Por dinheiro geram lutas
Têm fama de muito maus...
De ricos fazem figura,
enquanto outros - que tristeza! -
para terem pão na mesa...,
que vida enfrentam! Que dura!

Esqueçamos partidarismos!
Somos todos seres humanos
que já estão fartos de enganos,
de mentira e comodismos.
Estamos cheios de discursos,
de gente de mente aberta.
Cada dia, há um alerta.
Não somos parvos, nem ursos.

Há que arregaçar as mangas?
Comecemos pelos vilões,
vigaristas, aldrabões,
que nos deram tantas tangas
e deixaram o País
pelas ruas da amargura,
numa pobreza bem dura
que nunca, por certo, quis.

Há coisas que não percebo.
Tivemos alguns famosos,
perfumados e charmosos
que nos levaram ao cebo.
Agora, p'ra nos livrarmos
dum caos que pode aumentar...,
outros tais vão nos "salvar"
para mais pobres ficarmos.

Quanto a mim, compatriotas,
era cá, muito entre nós,
- só nós e muito nós sós -
(mesmo que a comer bolotas),
que a solução para a crise
devia ser encontrada
e muito bem aplicada,
antes que tudo agudize.

Reparem bem: nas ajudas
que nos querem facultar,
há exigências no ar
que mais parecem de Judas.
Ainda vamos assistir
a cenas de revoltar,
com os ricos a aumentar
e os pobres a sucumbir.

Não nos deixemos levar
por promessas ardilosas,
dessas "cabeças famosas",
peritas em calcular.
A moral que neles vigora,
não dá p'ra fome matar
dos milhões a "patinar",
neste mundo que os ignora.

Portugueses, meus irmãos,
(excluindo os trafulhas ...,
vigaristas, maus e pulhas):
Apertem todos as mãos
e vamos mostrar ao mundo,
o nosso exemplo de luta,
antes que uma malta astuta,
nos leve a um poço sem fundo.

Maria Letra

quinta-feira, 7 de julho de 2011

CRESCEU À DERIVA ...


Deram-lhe a vida dois seres.
Era amado pelos dois.
Tinha tudo o que queria
mas aconteceu, depois,
que as coisas entre os seus pais,
giraram bem ao contrário
e, os dois, não foram mais
um par que o protegia.
Foi crescendo nesta falha,
muito livre, muito ao calha.
Sem segurança, a sofrer,
apoiou-se em maus amigos,
em busca não sei de quê.
Partilhava o dia-a-dia,
como alguém que nada vê.
Queria compensar a falta
duma resposta a um por quê.
Foi próprio com essa malta
que conviveu muito tempo,
não pensando que, mais tarde,
a factura do mal feito,
iria ter de pagar
sem perdão, de qualquer jeito.
Sua má vida foi fado.
Como um barco que abalroa
num mar de males infestado,
viveu sua vida à toa.
Dos seus erros se condena
e compreendo porquê
tanto sofrer, em pequeno.
Ele hoje sabe o que quer!
Escolheu alguém p’ra viver
consigo, uma vida inteira.
É feliz! Não está mais só.
Recordar o seu passado,
põe-lhe na garganta um nó.

Maria Letra
2011-07-07