De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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sexta-feira, 13 de maio de 2011

O QUE RESTA DE MIM

          O meu coração é d’ouro.           
Ele não se deixa vencer.
Continua bem fiel
A esse velho papel
De mostrar ser resistente.
Escondido atrás dum cenário,
De muitas lamentações,
Anseios, palpitações,
Vai–me deixando viver,
Carregando este meu corpo
E as asneiras que ele faz.
Tem-se mostrado capaz
De deixar que eu ainda viva.
Vá-se lá saber porquê ....!

A minha mente é de prata.
Consciente da verdade
Dum destino irreversível,
Que sabemos impossível
De evitar ... está serena.
Luta contra todo o mal.
A minha força, de cobre,
Numa alma muito nobre,
Vai mantendo a pretensão
De querer continuar
A remar contra a maré,
E a continuar de pé.
Não nasci p’ra desistir.
Nasci teimosa, e então?

Minha vontade é de ferro.
Escondo no meu sorriso
E nesta aparente calma,
A dor que me vai na alma.
Mesmo quando o corpo dói,
Não dou o braço a torcer.
Vivo como uma criança
Que não pára, que não cansa.
Porque havia de parar ...?
Aprendi a defender-me,
Nunca soube desistir.
Meu coração, mal ou bem,
Não deixa de resistir,
A muita coisa que vem,
E a outras que vê partir. 

Maria Letra
Londres, Março de 2009
Fotografia de Rui Videira
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