De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.


20150218

AS FLORES E O "STAFF"












"Tulipas"
São as flores
que eu daria
aos Srs. Administradores.

                                                          
 






"Orquídeas"
Bem ...
Estas flores,
dá-las-ia,
sem dúvida,
aos Srs. Directores. 
                                                                  






"Cravos"
Para quem?
Para todo o Gerente,
certamente ...









"Violetas"
Flores de mulher,
não podem ser dadas
a uma secretária qualquer.











"Rosas"
Que pena!
Queria-as para mim ...
Mas..., ficariam melhor
num lindo jardim.
No entanto,
a ter de entregá-las...,
então ...
pô-las-ia nas mãos
da mulher que trabalha
num ritmo louco,
p'ra poder viver.
Sem categoria,
faz de tudo um pouco.










"Malmequeres"
Estas flores... ficariam bem
na telefonista
que, doida,
enlouquece,
perdida de amores
por tantas vozes de doutores,
que não conhece ...












Mas ... faltam flores para alguém
muito mais importante
em todo o "staff"...
Aqueles a quem muitos
chamam de "primário"
e que, por isso mesmo,
talvez ...,
prefere o cigarro.
Como é duro ser operário !...

Maria Letra
Londres, 29-03-1985

20150127

PALAVRAS COM CHEIRO A MORTE


PRESSÁGIO DE NAUFRÁGIO



 PRESSÁGIO DE NAUFRÁGIO

No silêncio do meu quarto
sinto um presságio sacana
que ameaça tempestade.
O meu coração está farto!
Está gélida a minha cama.
Terei eu capacidade
para aguentar o frio
que teima paralizar-me?
Enfrentar o desafio
exige muita coragem!


A minha alma se esforça.
Quero continuar lutando,
mas esta gelada aragem
não me deixa. Não sei quando
possa regressar calor
capaz de aquecer-me a alma,
dar consistência ao meu EU
e tanto, mas tanto Amor!
Impõe-se mantenha a calma.
Não desistirei, Deus meu!

Maria Letra
2015-01-27

20150120

FUI PERSEVERANTE...


... e insisti mantendo atitudes minhas.
Lutei contra heranças vis, daninhas...,
e algo aconteceu neste meu ego
devolvendo-me, em força, um amor cego,
uma vontade férrea de rasgar os danos
que carregava, teimosa, há tantos anos.
Eles motivaram um enorme tédio
que parecia não haver remédio
que o matasse, que o excluisse
da minha vida. Seria uma tolice
continuar a viver, penando
por males passados, quando...
... se impunha uma mudança
que repusesse a esperança
de voltar a viver com vida...,
e não com uma morte adquirida.
Amarrada a um teimoso apego,
a um passado de dor e medo,
acabei por cegar, não vendo
o mal que me estava fazendo
não viver. E, finalmente, decidi,
dar luz à razão por que estarei aqui.
Não serei mais o fardo que arreei.
Agora sim, eu regressei à Vida!
Voltei a ser cigana destemida.

Maria Letra
2015-01-20