De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SE EU FOSSE UMA ESTRELA

Se eu fosse uma estrela,
seria mais uma, entre muitas.
Como sempre, seria aquela,
de presenças fortuitas,
que ninguém vê ou sente,
quando deveria estar presente.
Se eu fosse uma estrela,
estaria num canto qualquer,
deste Universo sem fim.
Mas sou, apenas, Mulher.
Um alguém que não vive,
que não está, não convive,
mas gosta, contudo,
de ser desejada, querida,
por todos aqueles que ama,
que não a teem, esquecida.
O meu silêncio não mente,
Sobretudo, no Presente.

Não sei porque nasci assim.
Não sei porque há tristeza em mim.

Maria Letra
Porto, 24 de Março de 2003


domingo, 1 de agosto de 2010

A nice photo taken by Phoebe Raggett


My compliments to my best English Girl Friend!

sábado, 3 de julho de 2010

SAUDADE


Saudade é dor que se sente,
Saudade é uma dor ingrata.
É uma ausência, presente,
É uma presença que mata.
Saudade de quem partiu,
De quem não está, que não volta.
Saudade é f’rida que abriu,
É um mau-estar que revolta.
É negra a côr da saudade,
Negra sem réstea de luz,
Sem pena, sem piedade,
Põe-nos ao peito uma cruz.
A Saudade não se cura,
Enquanto presença fôr.
A minha saudade é dura,
Há muitos anos, amor.

Londres, 03-07-2010
Maria Letra
Imagem da net

segunda-feira, 14 de junho de 2010

MINHA VIDA JÁ SEM JEITO ...

Em cada lágrima minha,
Que, lentamente, caía,
Ouvia um grito de dor.
Na minh’angústia, sózinha,
O meu coração sentia,
A falta do teu amor.
Agora sim, eu sei bem,
Que não voltarás aqui.
Meus longos anos de espera
Terminaram. Sou alguém,
Que reza, agora, por ti.
Nada mais é, como era.

Dentro do meu coração
Deixaste-me, em testamento,
Um amor p’ra toda a vida.
Partiu contigo a paixão,
Ficou comigo, um lamento,
E uma memória sofrida.
Levaste parte de mim,
Mas parte de ti ficou ,
Bem guardada, no meu peito.
Deste-me um amor, sem fim,
Uma só coisa te dou:
Minha vida, já sem jeito.

Maria Letra
14 de Junho de 2010
Imagem da net

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A CONTABILIDADE E A VIDA


Aqui, jaz
alguém que já nada faz,
nem, provavelmente,
fez alguma vez.
Na caixa que o encerra,
ficará até que a terra
o reduza à sua origem,
à sua expressão mais virgem.
Para ele,
o Deve e o Haver
já não têm Razão de ser.
Para muitos,
a Contabilidade
é uma necessidade,
uma afirmação
da sua situação
na vida.
O seu valor humano,
é directamente proporcional
ao valor
do seu Capital.
É um conceito desumano.
Mas é assim.
Contudo,
esse valor não é tudo.
É nada!
É a tua essência mascarada.
É um cálculo, errado,
que te fará passar
à categoria de depenado
se nada tiveres.
A vida tem um valor
de dimensão maior
e mais profunda,
nesta sociedade
moribunda.
Eu tento ignorar
estes valores mesquinhos,
em que abunda,
Perversidade,
Corrupção
e traição.
Vida ...
é um coração que bate,
que vibra,
que agita,
que sente
um amor ausente,
que jamais estará presente.
Eu sei onde está o valor
de cada um de nós,
mesmo sem Contabilidade:
está no amor,
pelos que sofrem.
Essa é que é a verdade!

Maria Letra
1986-Maio


Imagem da autoria de Miguel Letra

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

VENTOS FORTES DE MUDANÇA


Vento que bate, insistente,
em frágeis corpos sem norte.
Leva tudo à sua frente,
na sua fúria de morte.
Ninguém sabe o que fazer.
Desistir, não são capazes.
Acreditam que vencer
é o prémio dos audazes.
Os que preferem ponderar,
estudam o mal na raiz,
buscando como travar
os ventos do seu país.

Ventos loucos, sem control,
que sopram todos os anos,
anos escuros, sem sol,
que causam penas e danos.
Uns esperando a calmia,
vão recolhendo a folhagem;
outros, mais em sintonia,
lutam juntos com coragem.
Procuram travar a dor.
Têm esperança no bom senso
e na força do amor,
cujo poder é imenso.

Fartos dum presente duro,
fogem de ventos e lôdos.
Têm esperança no futuro.
Todos por um, um por todos!
E, nesse esperar sem fim,
sentindo a força do vento
que sopra, dentro de mim,
fui-me esquecendo do tempo,
esse factor meu rival,
que sei ser muito importante
nesta luta desigual
contra um mau tempo constante.

Maria Letra
2009-07-01

domingo, 31 de janeiro de 2010

FLÁVIA VIVENDO EM COMA

Dado que tudo o que faço tem sempre uma lista de urgências à espera que as execute, eu quero confessar aqui o meu "só aparente" alheamento a casos como aquele que refiro neste pequeno texto, o de Flávia. Visito poucos blogues, exactamente por falta de tempo e, daí  falhar na atenção que devia prestar, sobretudo, a causas que "bradam aos céus".

Gostaria, portanto, de prestar aqui uma homenagem a Odele, Mãe de Flávia, pela sua coragem incomensurável - como é de prever em qualquer Mãe que vive um drama - já que Flávia, infelizmente, se encontra em coma irreversível (?) há 12 anos, não se apercebendo das lutas travadas à sua volta, pela família.

Sempre que o drama acontece
A quem é jovem e puro,
Nossa vida vira inferno,
A nossa alma entristece
E o dia-a-dia é tão duro,
Que nem um abraço terno,
De quem vive o nosso drama,
Traz a esperança que buscamos.

Ver alguém inconsciente,
Condenado a estar na cama,
Abafa a fé. Sufocamos
Uma prece impertinente,
Deixamos de acreditar.
Mas amiga, podes crer
Que, nesta vida de dor,
Tudo poderás esperar,
Quando num drama a vencer,
Grita mais alto o Amor.

Um abraço muito apertado à Odele, mesmo que isso não ajude. Certamente que tudo o que faz pela filha inclui, também, a esperança numa recuperação, possível (!), da consciência de Flávia. Quem falou de irreversível deverá recordar a si mesmo que nem sempre tem sido assim! Mas, se tal não viesse/vier a acontecer, teríamos/teremos de aceitar como a sua forma de ter vivido o seu tempo. Como detesto acabar assim o meu texto, a despeito do meu desejar/esperar uma recuperação inesperada!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A UMA AMIGA ESPECIAL

Hoje gostaria de dedicar este texto a uma grande amiga, a Milai, também conhecida por  Mara.

Esta minha atitude tem uma justificação muito aceitável, para além da que confere a esta senhora o estatuto de minha grande amiga, com uma autênticidade de sentimentos cada vez menos comum.

Em toda e qualquer tarefa em que se veja envolvida, por vontade própria ou por compromisso assumido, a Milai dedica-se a ela de alma e coração e nem nos momentos em que as suas forças se esgotam, ela deixa de ser aquele ser humano que põe amor em tudo o que a rodeia, seja na re-organização do seu lar, nos quadros que pinta, nas pantufinhas que tricota ou nos seus escritos, de grande naturalidade. Entre ela e a Natureza existe um "tu cá tu lá" cheio de dedicação e muito respeito. O mais simples poema ou texto, têm uma grande carga de feminilidade que agrada e transmite serenidade. Diria, ainda, que esta serenidade brota sem a mais leve ponta de falsidade, tal como os seus gestos de carinho para com os outros.

Mas porquê este texto agora? Por um motivo único: é que durante este recente período em que estive doente, umas 'longuíssimas' 4 ou 5 semanas, era com ela que eu conversava, telefonicamente, todos os dias, por vezes mais do que uma vez. Eu sei que isto poderá parecer de pouca importância, mas não para mim. Muitas vezes ela nem sequer soube quão doente eu me sentia, mas eu não prescindia daqueles momentos de contacto. É que a Milai transmitia-me muita paz, muita confiança e muito carinho e, dado que eu estava a ficar bastante depauperada e quase sem resistências, conversar com ela fez parte dum conjunto bom a que tive de recorrer para não entrar naquela fase do "já não vale a pena", comum a quem, como eu, não sentia melhoras.

Agora, que tudo passou e eu estou, de novo, "operacional", gostaria de agradecer-lhe e deixar aqui esta prova de reconhecimento profundo. É que tu, minha amiga, nem te apercebeste, completamente, do quanto eu estive mal. OBRIGADA, MILAI,  MUITO OBRIGADA!!! Foste de grande ajuda e, embora esperando tu nunca passes pelo mesmo, estarei contigo SEMPRE, se de mim necessitares, para suavizar a tua dor, seja ela de que dimensão fôr. Mas isso NUNCA acontecerá, tenho essa grande esperança.

Um enorme abraço.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

CRISE EXISTENCIAL DO PAI NATAL

Este ano, aquele Pai Natal famoso por ser gordinho,
corado, bonacheirão e muito rechonchudinho,
entrou pela chaminé, num estado de fazer dó.
De barriguinha encolhida, não conseguiu descer só...
e eu, que não acredito em Pais Natal, vi, então,
que se impunha ir ajudá-lo, senão caía no chão.
Trazia dentro do saco, promessas, muitas promessas.
Estava muito cabisbaixo. Sabia que nas cabeças
de meio mundo, a sofrer por tanta leviandade
a que ele estava a assistir, na sua já longa idade,
havia gente que ainda esperava, apesar de tudo,
que ele trouxesse no seu saco, algum presente graúdo.
Perguntei-lhe: -Porque sofres e estás tão magrito assim?
Respondeu-me: -Porque tenho o meu reinado no fim...
Dantes, todos me esperavam o ano inteiro, pacientes.
Agora, que eu já estou pobre, e tenho poucos presentes,
ninguém quer saber de mim, e já dizem que o Natal
não tem Pai, nem nunca teve! Estou lixadinho, estou mal!
Eu não tive alternativa. Puxei o peito p'ra fora,
dei-lhe o braço, ternamente, e fomos dali embora
conscientes, muito calmos, procurar um novo mundo
sem esta vil confusão e preconceitos de fundo,
onde a Paz seja perfeita e este doce Pai Natal,
viva só para a criança, rara Jóia Universal!


glittersMaria Letra
Recados, Fotos, Imagens at ImagensPorFavor.com

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

HAJA ESPERANÇA EM PORTUGAL

Acordei cheia de Esperança
Que tudo irá melhorar.
Estou com muita confiança
Na ajuda que me irão dar.
                                            Juntos seremos a força,
                                            Que Portugal reclama.        
                                            Venha gente que se esforça,
                                            Toca a levantar da cama!
Eu já estou aqui desperta.
Porque esperam?  Podem vir?
Se começam a dormir,
Não iremos progredir.
                                             Vamos lá, toca a acordar,
                                             Há que estar 'atento ao lobo'.
                                             Há muita gente a tramar,
                                             O bem-estar do nosso povo.
Confio em vós, meus amigos,
Sempre o fiz e, como tal,
Demos luta aos inimigos,
Desse lindo Portugal.
Kathys comments
Maria Letra